30 de novembro de 2007
A ÁGUA E O VINHO DA EA NA VISÃO DE IRINEU TAMAIO

O entrevistado do "Prosa Pantaneira" desta semana e Irineu Tamaio da WWF-Brasil. Ele já atuou como professor do ensino fundamental durante 12 anos, e possui experiências de educação ambiental no movimento ambientalista, tendo atuado em ONG´s, Agencias de Cooperação, Governos municipais, estaduais e nos últimos 4 anos desempenhou o papel de gestor-educador no Departamento de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente. Atualmente encontra-se na coordenação do Programa de Educação para Sociedades Sustentáveis do WWF - Brasil. Também é Doutor em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília-UnB, com mestrado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas-UNICAMP (2000) e graduação em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo-PUC/SP (1987).
Guató - Para um doutor fresco da academia do planalto central brasileiro
qual é o papel da educação ambiental em tempos de aquecimento global?
Tamaio - A EA tem o papel de contribuir de forma ética e política para a
manutenção da vida diante do colapso vindouro.
Guató - Quais são os fracassos e sucessos da educação ambiental em sua opinião, como um dos dinossauros da EA no Brasil?
Tamaio - Sucessos: A sua institucionalização, a construção do ProNEA, da PNEA, a formação de grupos de educadores, redes, políticas públicas locais e regionais, Fóruns, Encontros…Os fracassos: Ainda não conseguimos capilarizar para muitos segmentos da sociedade, a não dialogiciade entre certos guetos de EA.
Guató - Você já viveu a experiência de ser chapa branca (governo), agora
volta para sociedade civil por meio da WWF Brasil, que diferença você estabelece do ponto de vista de construção de políticas públicas?
Tamaio - No movimento social é possível estabelecer um foco de ação que permita mobilizar uma população em um determinado território na construção de novas alternativas socioambientais.
Guató - Você viveu a experiência de montagem dos coletivos educadores da
DEA/MMA no pantanal de Mato Grosso e Mato Grosso sul, porque essa pendenga não anda?
Tamaio - Vejo essa proposta com uma ruptura paradigmática, e acredito que por isso está avançando na constituição de instâncias de participação
coletiva. Acredito que a proposta político pedagógica é muita arrojada e
que necessita de mais tempo e condições para implementação.
Guató - De que forma a WWF pensa a educação ambiental no pantanal?
Tamaio - O programa Pantanal para Sempre no seu componente de EA atua com a capacitação de lideranças sócio ambiental - pescadores, agentes comunitários, universitários - para atuarem em projetos de geração de renda, conservação e educação ambiental junto a comunidade, sobretudo no Mato Grosso do Sul. Apoio na formação de Coletivos de Educadores Ambientais juntamente com o MMA e parceiros (universidades, Embrapa Pantanal, Ibama, prefeituras) para realização de Coletivos na Região da Bacia Pantaneira, com objetivo de formar e capacitar aproximadamente lideranças ambientais e propiciar o intercâmbio das práticas e experiências bem sucedidas.
Guató - Por quê a WWF só implementou políticas de educação ambiental voltada para o pantanal, até momento, somente com Mato Grosso Sul?
Tamaio - A razão é que o WWF-Brasil iniciou sua ação de EA com o apoio as escolas pantaneira em Aquidauana e se consolidou no MS, no entanto,
reconhecemos a importância das regiões de cabeceiras que estão no MT e
pretendemos desenvolver ações de EA na região.
Guató - Para encerra gostaria de fazer um ping-pong. Cite três celebridade da educação ambiental hoje no Brasil, em sua opinião?
Tamaio - Michèle Sato, Carlos Frederico Loureiro e Marcos Sorrentino.
Guató - Entre a água e o vinho o quê precisa acontecer para EA consolidar
em todos estados brasileiros?
Tamaio - É preciso mobilização e apoio das esferas governamentais.
Guató - Juventude e família: o que isto tem haver com educação ambiental?
Tamaio - Tem tudo a ver. As redes de Juventude pelo meio ambientes têm
demonstrado um grande movimento comprometido, mobilizado e catalisador da construção de uma EA crítica e emancipatória.
Guató - Beijo nas nádegas, e a sua mensagem aos leitores do prosa
pantaneira?
Tamaio - Que os leitores curtam o prosa pantaneira, que se propõe a ser mais em espaço de aprendizagem e trocas de uma forma menos tradicional. Com muita poesia, fotos, musicas, literaturas, entrevistas e desenhos.
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