Prosa Pantaneira

A gente sabe que existem políticas públicas destinadas para a comunidade quilombola, só que pela falta de regularização fundiária estamos perdendo esses benefícios. Goncalina, liderança do Quilombo Mata Cavalo

5 de julho de 2008

ICONOGRAFIA DA NOSSA SENHORA DO PANTANAL

O que a Nossa Senhora do Pantanal

É um novo título da Virgem Maria. NOSSA SENHORA DO PANTANAL! É a “ “senhora nossa”, a senhora “de todos nós” porque simplesmente é a “mãe de Jesus”. Uma só é “NOSSA SENHORA…DOS MIL NOMES” que lhe damos por causa do amor devoto que lhe dedicamos. Não ficamos parados em Nossa Senhora, Não! Através dela chegamos facilmente a Jesus, pois, Ele é o “ caminho, a verdade e a vida”, somente Ele, Jesus, é o primogênito de toda criação, pois é nele que foram criadas todas as coisas todas as coisas, no céu e na terra, /…/ tudo foi criado através dele e para ele”. (Cl 1,5ss)

Fundamentação histórica do novo título

Quando, há alguns anos – 04 de outubro/1982, o Dr. Gabriel Vandoni de Barros sugeriu o nome de “Nossa Senhora do Pantanal” á pequena imagem que surgiu dos dedos da senhora Ida Sanches Mônacona, então, incipiente Casa do Massa Barro Artesanato do Pantanal, a nossa fauna e flora começaram a ser a inspiração na mente dos pequenos artesões – as crianças e jovens – para que a rua não fosse o seu passatempo, e sim, o manuseio do barro mostrasse a Cultura típica da alma Pantaneira.

Como é a imagem de nossa Senhora Pantanal

O modelo padrão revela os traços de Nossa Senhora Aparecida. A virgem morena está de pé, feições finas, mãos sobrepostas ao peito, toda envolta em manto bordado com folha e flores de camalotes nas cores verdes e lilás. Traz sobre a cabeça uma linda coroa das pequenas folhas e flores do camalote sobre a cabeça simbolizam o íntimo relacionamento da Virgem Maria com as Pessoas da Santíssima Trindade: Filha Predileta do Pai; Mãe de Jesus e Sacrário do Espírito Santo.

Nova direção na nossa história

A primeira imagem de Nossa Senhora Do Pantanal que serviu para o ato de oficializar tal título tem aos pés da Santa uma cortina de camalotes e um par de sandálias, uma sobreposta à outra. Das rendas camalotes surge a moura Senhora do Pantanal. O “par das sandálias deixa aos pés de Nossa Senhora as lendáriaa sandálias do Frei Mariano”, símbolo de um lamentável estado de culpa do povo por sentir incapaz de defender o missionário de calúnias e maus tratos. A “ praga do Frei Mariano” é um estigma histórico que ainda está presente em algumas mentes. Oficializar o título de nossa Senhora do Pantanal aos 21 de setembro de 2001 – aniversário da cidade de Corumbá e inicio da primavera – significou iniciar um novo tempo de bênçãos divinas do terceiro milênio e fortalecer a auto-estima de todos as corumbaenses em sua história.

Padroeira do Pantanal

A virgem Maria, sob o título de “Nossa Senhora da Candelária”, é padroeira da cidade que nasceu como “santa Cruz de Corumbá”. Foi também declarado aos 21 de setembro de 2001 “ Nossa Senhora do Pantanal”o maior parque ecológico do mundo. “ Nossa Senhora do Pantanal, rogai por nós!”

 

Em quase todo casa pantaneiro existe um nicho de santos da igreja católica. O que isto tem a ver com a conservação do pantanal?

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MULHERES DE RAÇA DO MATA CAVALO

Nesta entrevista inclusiva, a mais nova liderança do Quilombo de Mata Cavalo, Gonçalina Eva, fala da luta das mulheres do Mata Cavalo pela demarcação do território quilombola.Veja a entrevista na integra de Jão Guató da Rede Mato-Grossense de Educação Ambiental (REMTEA).

Como está à situação da demarcação do território quilombola em Mata Cavalo?

De acordo com o decreto de demarcação dos territórios quilombolas, estamos em fase de desapropriação, porque já foram feitas as notificações e passou o prazo que os fazendeiros tinham para contestar o processo demarcatório. Segundo o que vimos no Incra, mais ou menos 15 fazendeiros contestaram o processo de demarcação do território como quilombola. Então estamos aguardando a desapropriação, que é a etapa final para desapropriação.

Quantos fazendeiros reivindicam a posse da terra em Mata cavalo?

Entre os pequenos fazendeiros, sem terras, poceiros e os grandes proprietários, têm um total de aproximadamente 120 pessoas.

Na gestão do Governo Dante de Oliveira foi realizado a cadeia dominial desta área, porque o Incra tem que fazer tudo novamente?

Na realidade quando o Intermat (Instituto de Terras de Mato Grosso) realizou esse trabalho, ele fez apenas de uma área de onze mil hectares de terras, abrangendo três a quatro fazendas desta região. No entanto, de acordo com o decreto de reconhecimento do território Quilombola, é a comunidade que indica o seu território, e na época este requisito não tinha sido obedecido no processo. Então quando passou pela comunidade de Mata Cavalo, ela mostrou que seu território abrangia quinze mil hectares. Com isto, tornou-se necessário que o Incra realizasse outro trabalho identificação do território de quilombo Mata Cavalo. Isto foi necessário até para atualizar, pois o trabalho do Intermat já tem mais de dez anos.

 

Com a presença do Presidente lula em Mato Grosso, no lançamento do PAC voçês entregaram um documento, o que vocês reivindicaram?

Reivindicamos mais empenho do Incra de Mato Grosso no trabalho de identificação e reconhecimento do nosso território, pois o Incra de Mato Grosso e muito lento no processo de demarcação dos territórios Quilombolas. Sem contar que eles não são compromissados com os quilombolas. Mesmo tento uma coordenadoria de quilombola dentro de Incra, a gente vê que na verdade, o superintendente não empenha na regularização do território de Mata Cavalo. Por outro lado, a comunidade tem problemas com a educação das crianças, moradia, entre outros. A gente sabe que existem políticas públicas destinadas para a comunidade quilombola, só que pela falta de regularização fundiária estamos perdendo esses benefícios. Temos casas que foram queimadas por ser de palha, a causa não sabemos se foi curto circuito, ou fogo do campo. Mas se tivéssemos uma casa de material isso seria mais difícil de acontecer. Então famílias estão sendo desabrigadas e prejudicadas pela falta dessas das políticas compensatórias que não chegam até a comunidade do Mato Cavalo. A energia chegou aqui pela metade, então a comunidade não pode contínua sendo despejada e vivendo nestas condições desumana pela falta de empenho do Incra em Mato Grosso. Esse é um direito constitucional que temos de nossas famílias morar e viver com dignidade no território quilombola.

Com relação à educação escolar, qual o problema que vocês estão enfrentando?

A Prefeitura de Livramento entregou um projeto para o Ministério da Educação e eles não deixaram à prefeitura construir a escola no quilombo porque não tínhamos o título da terra registrado em cartório em nome da comunidade. E como MEC tem requisitos que não permite a construção de escola em área de conflito, acabamos não obtendo o direito a edificação de uma escola. Eles destinam as políticas para os quilombolas, mas não conhecem a realidade que vivemos. Assim, acaba ficando difícil para nos sermos beneficiado com as políticas públicas. Como a maioria das comunidades quilombolas não tem o documento, sofrem todo tipo de despejos. Com isto, temos o projeto, existe o dinheiro, mas não podemos obter o beneficio. Ou seja, não chega onde tem que chegar.

E Governo Blairo Maggi, como tem tratado a comunidade de Mata Cavalo?

No seu primeiro mandado ele não deu nenhuma atenção. No segundo estamos sentido que está iniciando. Lentamente está começando algumas ações. Inclusive já existem recursos assegurados nas dotações orçamentária das políticas dos planos de governo. Há até recursos para trabalhar a regularização fundiária em quilombo. Parece que o governo dá querendo trabalhar com essas comunidades.

Percebe-se que no Mata Cavalo uma grande parte das lideranças são mulheres, isso significa que os homens não estão envolvidos com a luta pela demarcação dos territórios quilombola? 

Pelo contrário. Até porque a violência com os homens é maior. E as mulheres viram que elas têm esse poder de negociar por ser mais frágil que os homens. E o pessoal ficar com medo de agredir as mulheres nos momentos do conflito. Com isto elas começaram a tomar conta da luta pela demarcação do nosso território. Agora isto não significa que os homens não estejam na luta pela terra. Com certeza eles estão também envolvidos neste processo. Estão na realidade na retaguarda e respeitam as decisões que tomamos.

Então o fato das mulheres estarem à frente da luta é uma estratégia feminina em Mata Cavalo?

Exatamente, é uma estratégia feminina. Por que a gente sabe que ao lado de uma grande mulher existe um grande homem.

Como você encara a luta da mulher negra pela posse da terra? 

Acho que isto vem das nossas raízes africanas. Quando você ler a história da África, percebe-se que sociedade era matrilinear, onde a mulher tinha o poder de resolver os problemas e tomar conta da situação. Então esses passos vêm de longe e é natural entre nos. Quando agente vê outras comunidades étnicas com problema de mulheres sendo agredidas por relações machistas, achamos estranha essa atitude, porque em nossa comunidade não vemos isso. Aqui realmente temos a igualdade de gênero.

Esta igualdade ela se dá e é garantida de que forma?

Como já disse. Acho que é da nossa cultura africana. Vimos os nossos antepassados agindo com uma relação diferente e vamos incorporando isso naturalmente. Aqui a maioria das ‘rezadeiras’ é mulher. Tem mulher que trabalha na roça, cuida dos filhos e da casa, é ainda é a chefe da família. E têm outras que o marido estar sempre junto em toda lida da comunidade. Vão inclusive para roça juntos. É esse o nosso convívio. Aceitamos sem nenhum problema essa relação. E todo mundo chega e aceita essa relação. E difícil você ver na comunidade problema de marido que bateu na esposa. Tem as separações, mas isso acontece porque estamos numa sociedade moderna que vive esse tipo de situação. Mas a questão da violência contra mulher não se vê na comunidade quilombola.

Qual a sua mensagem para as mulheres negra mato-grossense?

Gonçalina – Fé, esperança e coragem. Nós vamos vencer essa luta.

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TERRITÓRIO QUILOMBOLA

 O conflito pela demarcação do território Quilombola de Mata Cavalo na localidade de Nossa Senhora do Livramento - que fica a 50 km da capital de Mato Grosso, Cuiabá -, já se estende por mais de três décadas. A omissão do estado brasileiro e do governo de Mato Grosso vem de longe e a situação dos quilombolas fica cada vez mais grave, já houve despejos, queima de barracos, pessoas presas e até conflitos armados.

 

Há quem acredita que a área é muito rica, em ouro, e isto aumenta a cobiça de todo tipo de gente gananciosa, aventureiros brancos, negros e roxos entre outros tipos étnicos. Os negros descendentes legítimos de escravos, além do direito de usucapião - caso as terras pertencessem, realmente, a sesmaria de brancos-, são vistos, também, como verdadeiros posseiros e proprietários, ainda que se tratasse de terras devolutas.

 

Com 495 famílias aguardando a demarcação da terra, a comunidade vive hoje numa área reduzida e são a todo o momento impedidos de cultivar até suas roças de subsistência. Mesmo assim, as mulheres e homens na luta pela demarcação do território de Mata Cavalo são iguais em direito, mas, alguns homens, segundo Dona Tereza, umas principais liderança da comunidade, na hora do vamos ver como é que fica… Falham.

 

Para Gonçalina Eva, uma das mais novas lideranças do Mato Cavalo, o fato das mulheres estarem à frente da luta pela demarcação do território, é uma estratégia feminina. Enquanto fazendeiros usam os artifícios do poder para justificar suas invasões, despejos, armas, autoritarismo, queima de casas e de plantações, o próprio Estado age com a omissão. E o governo não é a solução para o problema, pelo contrário: o governo é o problema.

 

 

 

No dia internacional do meio ambientes – 5 de junho deste ano - oito famílias de quilombolas - com cerca de 30 pessoas - foram despejadas da propriedade rural conhecida como fazenda Estiva, localizada no município de Nossa Senhora do Livramento (42 km de Cuiabá). Oficiais de Justiça, com o apoio da Polícia Federal, cumpriram um mandado de reintegração de posse expedida pelo juiz federal substituto da 2ª Vara, Marcelo Aguiar Machado. A ação foi impetrada pelo fazendeiro Miguel Santana da Costa, 64. Ele alega que a propriedade é familiar, foi passada para ele por seu pai e fora invadida por desconhecidos. Os quilombolas acusam os policiais federais de terem agido com arbitrariedade.

 

Três pessoas foram detidas acusadas de desacato a autoridade e obstrução de trabalho da justiça. Foram presos Gonçalina Eva de Almeida e Silva, uma das principais lideranças do Quilombo do Mata Cavalo e Adenito Alves e Emiliano Venâncio e Santos. "Moramos há oito anos neste local, tínhamos nossas casas, que agora foram derrubadas pela polícia, e nossa lavoura. Não é justo que de repente eles cheguem aqui sem nos avisar e, além de nos expulsar, destruam tudo e nos trate com brutalidade", disse Teresa Conceição Arruda, outra líder quilombola. Os proprietários alegam que a área é centenária, passada de pai para filho e fora invadida no dia em junho de 2003 por Norberto, que não estava no local no momento do despejo, e seus companheiros. Os invasores alegam que a base do direito é o título expedido pela Fundação Cultural Palmares e o Relatório antropológico dO INCRA apresentado em ação civil pública.

 

"Eu sou trabalhador, esta terra foi passado pelo meu avô para meu pai, que a deixou para mim. Estou apenas reivindicando o que já é meu e de minha família há mais de 100 anos", disse Miguel Santana, que se diz ser o dono da terra. A Fundação Cultural Palmares e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) já haviam recorrido da decisão antes mesmo da desocupação. O processo está tramitando no Tribunal Federal, em Brasília. De acordo com a Fundação Palmares há um estudo realizado pelo Incra que comprova que está área também faz parte do Quilombo Mata Cavalo, remanescente dos escravos.

  

 

 

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MORREU O ÚLTIMO COMUNISTA CONVICTO DO PANTANAL

 

Foi sepultado no final da manhã do dia 1 de julho o corpo do professor Carlos Reiners, considerado o maior expoente do movimento comunista em Mato Grosso. Aos 74 anos, ele morreu na noite de segunda-feira (30), vítima de falência múltipla dos órgãos.

 

 Além de parentes e amigos, o velório reuniu filiados a partidos historicamente ligados à Esquerda, como PT e PCdoB. Reiners estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São Matheus, em Cuiabá, há quatro dias. Há pouco mais de dois meses, ele passou a sentir fortes dores abdominais e acabou sendo submetido no período a duas cirurgias. Contudo, uma infecção se alastrou pelo organismo, provocando a morte do líder comunista, às 21h de segunda-feira. Há cerca de dois anos, Reiners vinha sofrendo abalos na saúde. Ele foi acometido por um câncer no estômago, além de conviver com os reflexos do Mal de Parkinson. Após o tratamento oncológico, familiares apontam que o estado de saúde era intermitente, entre períodos de aparente quadro estável e outros de complicações evidentes. O corpo de Carlinhos Reiners, como era conhecido no meio político, foi velado na capela Jardins e sepultado por volta do meio-dia.

 

Ele deixa esposa, cinco filhos e seis netos. Seu pai, de 101 anos, acompanhou a despedida. Em meio à comoção compartilhada entre a família e amigos, homenagens foram prestadas por pessoas presentes. Banners com a foto do professor estampavam a seguinte frase: “Camarada Carlos Reiners. Sua dedicação e luta servirão de exemplo para a atual e novas gerações. Viva a luta do povo! Viva o socialismo!”.

 

Em Mato Grosso, Reiners era tido como o último fiel revolucionário comunista. A palavra, mais que um rótulo político, era tida por Carlinhos como um verdadeiro prenome. Sem nenhuma filiação partidária, amigos relatam que ele se apresentava como genuinamente comunista, acima de siglas ou grupos políticos. O ‘título’ lhe rendeu, inclusive, destaque em livros e documentários. Após o passado de revolucionário, ele se dedicava há 30 anos a trabalhos comunitários, ao papel de professor e à pacata vida em Mimoso, distrito de Santo Antônio de Leverger. “Ele era muito ativo, apesar da doença. Era um homem dinâmico, trabalhador, simples e que gostava muito de viver”, declara Osvaldo Reiners, irmão de Carlinhos. Segundo parentes, as visitas a Cuiabá eram cada vez mais escassas e em grande parte eram reservadas à aquisição de livros e revistas, como a revista Caros Amigos, considerada leitura obrigatória na ‘cartilha’ comunista de Reiners. O corpo de Carlinhos foi sepultado no tradicional cemitério Nossa Senhora da Piedade, no Centro de Cuiabá.

criado por joaoguato    5:33 — Arquivado em: Sem categoria
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