5 de julho de 2008
MORREU O ÚLTIMO COMUNISTA CONVICTO DO PANTANAL
Foi sepultado no final da manhã do dia 1 de julho o corpo do professor Carlos Reiners, considerado o maior expoente do movimento comunista em Mato Grosso. Aos 74 anos, ele morreu na noite de segunda-feira (30), vítima de falência múltipla dos órgãos.
Além de parentes e amigos, o velório reuniu filiados a partidos historicamente ligados à Esquerda, como PT e PCdoB. Reiners estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São Matheus, em Cuiabá, há quatro dias. Há pouco mais de dois meses, ele passou a sentir fortes dores abdominais e acabou sendo submetido no período a duas cirurgias. Contudo, uma infecção se alastrou pelo organismo, provocando a morte do líder comunista, às 21h de segunda-feira. Há cerca de dois anos, Reiners vinha sofrendo abalos na saúde. Ele foi acometido por um câncer no estômago, além de conviver com os reflexos do Mal de Parkinson. Após o tratamento oncológico, familiares apontam que o estado de saúde era intermitente, entre períodos de aparente quadro estável e outros de complicações evidentes. O corpo de Carlinhos Reiners, como era conhecido no meio político, foi velado na capela Jardins e sepultado por volta do meio-dia.
Ele deixa esposa, cinco filhos e seis netos. Seu pai, de 101 anos, acompanhou a despedida. Em meio à comoção compartilhada entre a família e amigos, homenagens foram prestadas por pessoas presentes. Banners com a foto do professor estampavam a seguinte frase: “Camarada Carlos Reiners. Sua dedicação e luta servirão de exemplo para a atual e novas gerações. Viva a luta do povo! Viva o socialismo!”.
Em Mato Grosso, Reiners era tido como o último fiel revolucionário comunista. A palavra, mais que um rótulo político, era tida por Carlinhos como um verdadeiro prenome. Sem nenhuma filiação partidária, amigos relatam que ele se apresentava como genuinamente comunista, acima de siglas ou grupos políticos. O ‘título’ lhe rendeu, inclusive, destaque em livros e documentários. Após o passado de revolucionário, ele se dedicava há 30 anos a trabalhos comunitários, ao papel de professor e à pacata vida em Mimoso, distrito de Santo Antônio de Leverger. “Ele era muito ativo, apesar da doença. Era um homem dinâmico, trabalhador, simples e que gostava muito de viver”, declara Osvaldo Reiners, irmão de Carlinhos. Segundo parentes, as visitas a Cuiabá eram cada vez mais escassas e em grande parte eram reservadas à aquisição de livros e revistas, como a revista Caros Amigos, considerada leitura obrigatória na ‘cartilha’ comunista de Reiners. O corpo de Carlinhos foi sepultado no tradicional cemitério Nossa Senhora da Piedade, no Centro de Cuiabá.
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