Prosa Pantaneira

A gente sabe que existem políticas públicas destinadas para a comunidade quilombola, só que pela falta de regularização fundiária estamos perdendo esses benefícios. Goncalina, liderança do Quilombo Mata Cavalo

28 de dezembro de 2008

PANTANEIRO DE TCHAPA E CRUZ

CERIMÔNIA DO ADEUS

“Meu último livro está aí lançado agora (Memórias Inventadas: A terceira Infância), e tenho recebido muitos telefonemas do Brasil inteiro sobre esse livro, que é um livrinho exíguo, sabe, mas é meu ultimo livro. È Alguma coisa que eu ainda precisava dizer.” Quem fala assim é Manoel de Barros, que faz 92 anos em 19 de dezembro, sem nenhuma pompa. O poeta do Pantanal é hoje o mais lido do Brasil: já vendeu um milhão de livros, o que o coloca como raridade no seleto clube dos best-sellers. Mas que ninguém se engane: ele não liga muito para isso. Nem para o fato de, finalmente, ter traduzido o inglês. E também para o alemão, catalão, espanhol e francês. E explica: “tenho paixão pelas coisas sem importância. As coisas muito importantes me aniquilam.” Quase surdo com os olhos lacrimosos de quem pouco vê recém recuperado da perda de um filho, morto há um ano num acidente aéreo, Manoel de Barros não evita qualquer ritual de despedida. Não precisa: quando escreve, paira acima das circunstancia do tempo. Acompanhe a entrevista concedida a Bosco Martins – em especial para o site à cidade, de Mato Grosso do Sul, e também encontra-se publicada na Revista Caros Amigos desta semana.

A POESIA

Ganho muito dinheiro com a poesia. Eu vendo muito bem, sabe. Primeiro eu recebo um adiantamento, e daí fico recebendo pela vendagem dos livros e dos outros que já estão publicados. Não é dinherão, não – mas dá pra viver. E recebo muitos prêmios também. Acaba que dá uma boa média.

LANÇAMENTO NOS EUA

Eu não lanço nada. Essa palavra lançar, lá em Cuiabá quer dizer vomitar. Então eu nunca vomitei aqui nem vou vomitar lá fora. Eu sempre tive editores, sabe. O primeiro o Ênio Silveira, da Civilização Brasileira, que conheceu por acaso, eu acho que me conheceu por acaso, eu acho que foi pela coluna do Millôr Fernandes, que teria lido um livro meu. Ele me telefonou, e eu fiquei espantado, bugre fica espantado, e me disse que queria publicar um livro meu. Até 60 anos eu não tinha editor, mas já tinha publicado 8 livros.

ESSA RAPAZIADA

Estou só relendo. Essa rapaziada mais nova eu quase não leio, inclusive porque estou prejudicado. Leio vinte minutos e começo a lacrimejar. Então eu leio as pessoas que já conheço e que gosto muito. Gosto de ler o Padre Antonio Vieira, Guimarães Rosa, Machado de Assis, e o velho testamento: os profetas do velho testamento. Sou fanático pelo velho – pela literatura, como livros de arte. Não encaro aquilo como livro religioso – também me interessa, mas gosto principalmente dos profetas, me agrada muito a linguagem. Mas me angustia, sim, essa coisa de ler pouco. Porque eu acho que a literatura e qualquer arte servem para desabrochar a imaginação. E se você não tem boa leitura, não tem boa musica, não tem boa pintura, a sua imaginação, pelo menos a minha, eu acho que fica um pouco embotada, fica um pouco sem caminho e não desabrocha. Eu tenho escrito muito pouco, a minha imaginação criadora está muito prejudicada. Eu estou bem cadastrado, sabe. Mas não é culpa minha, velho é isso mesmo, tem limitações. A gente tem que aceitar sem chorar.

O DOM DA PALAVRA

Primeiro eu sou cristão, acredito n dom. A pessoa nasce como uma predisposição, que eu chamo de dom para arte. Eu acho que nasci com esse dom. Porque desde que me entendi por gente, com 13 anos, interno no Colégio dos Maristas. Que eu fui ler pela primeira vez o Padre Antonio Vieira, foi que descobri que era poesia, o que era uma aplicação literária pela palavra. Eu fiquei apaixonado pela palavra. Você sabe o que é se apaixonar pela palavra? É você sonhar com ela, e você tomar nota, e de manha você saber se ela dormiu… A partir disso, eu nunca mais quis me aplicar a outra coisa. Eu achei que isso era a minha única destinação. Eu acho que poesia é um parafuso a mais na cabeça. E nunca mais saiu da minha cabeça essa predestinação, essa tara, esse homicídio, essa obsessão pela palavra. Desde que comecei a ler o Vieira, eu também comecei a escrever. Escrevi para o meu pai e para minha mãe que já tinha descoberto a minha vocação, que não era para médico, dentista, ou engenheiro; era pra fazer frase. Eu chamo isso de dom.

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5 de julho de 2008

ICONOGRAFIA DA NOSSA SENHORA DO PANTANAL

O que a Nossa Senhora do Pantanal

É um novo título da Virgem Maria. NOSSA SENHORA DO PANTANAL! É a “ “senhora nossa”, a senhora “de todos nós” porque simplesmente é a “mãe de Jesus”. Uma só é “NOSSA SENHORA…DOS MIL NOMES” que lhe damos por causa do amor devoto que lhe dedicamos. Não ficamos parados em Nossa Senhora, Não! Através dela chegamos facilmente a Jesus, pois, Ele é o “ caminho, a verdade e a vida”, somente Ele, Jesus, é o primogênito de toda criação, pois é nele que foram criadas todas as coisas todas as coisas, no céu e na terra, /…/ tudo foi criado através dele e para ele”. (Cl 1,5ss)

Fundamentação histórica do novo título

Quando, há alguns anos – 04 de outubro/1982, o Dr. Gabriel Vandoni de Barros sugeriu o nome de “Nossa Senhora do Pantanal” á pequena imagem que surgiu dos dedos da senhora Ida Sanches Mônacona, então, incipiente Casa do Massa Barro Artesanato do Pantanal, a nossa fauna e flora começaram a ser a inspiração na mente dos pequenos artesões – as crianças e jovens – para que a rua não fosse o seu passatempo, e sim, o manuseio do barro mostrasse a Cultura típica da alma Pantaneira.

Como é a imagem de nossa Senhora Pantanal

O modelo padrão revela os traços de Nossa Senhora Aparecida. A virgem morena está de pé, feições finas, mãos sobrepostas ao peito, toda envolta em manto bordado com folha e flores de camalotes nas cores verdes e lilás. Traz sobre a cabeça uma linda coroa das pequenas folhas e flores do camalote sobre a cabeça simbolizam o íntimo relacionamento da Virgem Maria com as Pessoas da Santíssima Trindade: Filha Predileta do Pai; Mãe de Jesus e Sacrário do Espírito Santo.

Nova direção na nossa história

A primeira imagem de Nossa Senhora Do Pantanal que serviu para o ato de oficializar tal título tem aos pés da Santa uma cortina de camalotes e um par de sandálias, uma sobreposta à outra. Das rendas camalotes surge a moura Senhora do Pantanal. O “par das sandálias deixa aos pés de Nossa Senhora as lendáriaa sandálias do Frei Mariano”, símbolo de um lamentável estado de culpa do povo por sentir incapaz de defender o missionário de calúnias e maus tratos. A “ praga do Frei Mariano” é um estigma histórico que ainda está presente em algumas mentes. Oficializar o título de nossa Senhora do Pantanal aos 21 de setembro de 2001 – aniversário da cidade de Corumbá e inicio da primavera – significou iniciar um novo tempo de bênçãos divinas do terceiro milênio e fortalecer a auto-estima de todos as corumbaenses em sua história.

Padroeira do Pantanal

A virgem Maria, sob o título de “Nossa Senhora da Candelária”, é padroeira da cidade que nasceu como “santa Cruz de Corumbá”. Foi também declarado aos 21 de setembro de 2001 “ Nossa Senhora do Pantanal”o maior parque ecológico do mundo. “ Nossa Senhora do Pantanal, rogai por nós!”

 

Em quase todo casa pantaneiro existe um nicho de santos da igreja católica. O que isto tem a ver com a conservação do pantanal?

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MULHERES DE RAÇA DO MATA CAVALO

Nesta entrevista inclusiva, a mais nova liderança do Quilombo de Mata Cavalo, Gonçalina Eva, fala da luta das mulheres do Mata Cavalo pela demarcação do território quilombola.Veja a entrevista na integra de Jão Guató da Rede Mato-Grossense de Educação Ambiental (REMTEA).

Como está à situação da demarcação do território quilombola em Mata Cavalo?

De acordo com o decreto de demarcação dos territórios quilombolas, estamos em fase de desapropriação, porque já foram feitas as notificações e passou o prazo que os fazendeiros tinham para contestar o processo demarcatório. Segundo o que vimos no Incra, mais ou menos 15 fazendeiros contestaram o processo de demarcação do território como quilombola. Então estamos aguardando a desapropriação, que é a etapa final para desapropriação.

Quantos fazendeiros reivindicam a posse da terra em Mata cavalo?

Entre os pequenos fazendeiros, sem terras, poceiros e os grandes proprietários, têm um total de aproximadamente 120 pessoas.

Na gestão do Governo Dante de Oliveira foi realizado a cadeia dominial desta área, porque o Incra tem que fazer tudo novamente?

Na realidade quando o Intermat (Instituto de Terras de Mato Grosso) realizou esse trabalho, ele fez apenas de uma área de onze mil hectares de terras, abrangendo três a quatro fazendas desta região. No entanto, de acordo com o decreto de reconhecimento do território Quilombola, é a comunidade que indica o seu território, e na época este requisito não tinha sido obedecido no processo. Então quando passou pela comunidade de Mata Cavalo, ela mostrou que seu território abrangia quinze mil hectares. Com isto, tornou-se necessário que o Incra realizasse outro trabalho identificação do território de quilombo Mata Cavalo. Isto foi necessário até para atualizar, pois o trabalho do Intermat já tem mais de dez anos.

 

Com a presença do Presidente lula em Mato Grosso, no lançamento do PAC voçês entregaram um documento, o que vocês reivindicaram?

Reivindicamos mais empenho do Incra de Mato Grosso no trabalho de identificação e reconhecimento do nosso território, pois o Incra de Mato Grosso e muito lento no processo de demarcação dos territórios Quilombolas. Sem contar que eles não são compromissados com os quilombolas. Mesmo tento uma coordenadoria de quilombola dentro de Incra, a gente vê que na verdade, o superintendente não empenha na regularização do território de Mata Cavalo. Por outro lado, a comunidade tem problemas com a educação das crianças, moradia, entre outros. A gente sabe que existem políticas públicas destinadas para a comunidade quilombola, só que pela falta de regularização fundiária estamos perdendo esses benefícios. Temos casas que foram queimadas por ser de palha, a causa não sabemos se foi curto circuito, ou fogo do campo. Mas se tivéssemos uma casa de material isso seria mais difícil de acontecer. Então famílias estão sendo desabrigadas e prejudicadas pela falta dessas das políticas compensatórias que não chegam até a comunidade do Mato Cavalo. A energia chegou aqui pela metade, então a comunidade não pode contínua sendo despejada e vivendo nestas condições desumana pela falta de empenho do Incra em Mato Grosso. Esse é um direito constitucional que temos de nossas famílias morar e viver com dignidade no território quilombola.

Com relação à educação escolar, qual o problema que vocês estão enfrentando?

A Prefeitura de Livramento entregou um projeto para o Ministério da Educação e eles não deixaram à prefeitura construir a escola no quilombo porque não tínhamos o título da terra registrado em cartório em nome da comunidade. E como MEC tem requisitos que não permite a construção de escola em área de conflito, acabamos não obtendo o direito a edificação de uma escola. Eles destinam as políticas para os quilombolas, mas não conhecem a realidade que vivemos. Assim, acaba ficando difícil para nos sermos beneficiado com as políticas públicas. Como a maioria das comunidades quilombolas não tem o documento, sofrem todo tipo de despejos. Com isto, temos o projeto, existe o dinheiro, mas não podemos obter o beneficio. Ou seja, não chega onde tem que chegar.

E Governo Blairo Maggi, como tem tratado a comunidade de Mata Cavalo?

No seu primeiro mandado ele não deu nenhuma atenção. No segundo estamos sentido que está iniciando. Lentamente está começando algumas ações. Inclusive já existem recursos assegurados nas dotações orçamentária das políticas dos planos de governo. Há até recursos para trabalhar a regularização fundiária em quilombo. Parece que o governo dá querendo trabalhar com essas comunidades.

Percebe-se que no Mata Cavalo uma grande parte das lideranças são mulheres, isso significa que os homens não estão envolvidos com a luta pela demarcação dos territórios quilombola? 

Pelo contrário. Até porque a violência com os homens é maior. E as mulheres viram que elas têm esse poder de negociar por ser mais frágil que os homens. E o pessoal ficar com medo de agredir as mulheres nos momentos do conflito. Com isto elas começaram a tomar conta da luta pela demarcação do nosso território. Agora isto não significa que os homens não estejam na luta pela terra. Com certeza eles estão também envolvidos neste processo. Estão na realidade na retaguarda e respeitam as decisões que tomamos.

Então o fato das mulheres estarem à frente da luta é uma estratégia feminina em Mata Cavalo?

Exatamente, é uma estratégia feminina. Por que a gente sabe que ao lado de uma grande mulher existe um grande homem.

Como você encara a luta da mulher negra pela posse da terra? 

Acho que isto vem das nossas raízes africanas. Quando você ler a história da África, percebe-se que sociedade era matrilinear, onde a mulher tinha o poder de resolver os problemas e tomar conta da situação. Então esses passos vêm de longe e é natural entre nos. Quando agente vê outras comunidades étnicas com problema de mulheres sendo agredidas por relações machistas, achamos estranha essa atitude, porque em nossa comunidade não vemos isso. Aqui realmente temos a igualdade de gênero.

Esta igualdade ela se dá e é garantida de que forma?

Como já disse. Acho que é da nossa cultura africana. Vimos os nossos antepassados agindo com uma relação diferente e vamos incorporando isso naturalmente. Aqui a maioria das ‘rezadeiras’ é mulher. Tem mulher que trabalha na roça, cuida dos filhos e da casa, é ainda é a chefe da família. E têm outras que o marido estar sempre junto em toda lida da comunidade. Vão inclusive para roça juntos. É esse o nosso convívio. Aceitamos sem nenhum problema essa relação. E todo mundo chega e aceita essa relação. E difícil você ver na comunidade problema de marido que bateu na esposa. Tem as separações, mas isso acontece porque estamos numa sociedade moderna que vive esse tipo de situação. Mas a questão da violência contra mulher não se vê na comunidade quilombola.

Qual a sua mensagem para as mulheres negra mato-grossense?

Gonçalina – Fé, esperança e coragem. Nós vamos vencer essa luta.

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TERRITÓRIO QUILOMBOLA

 O conflito pela demarcação do território Quilombola de Mata Cavalo na localidade de Nossa Senhora do Livramento - que fica a 50 km da capital de Mato Grosso, Cuiabá -, já se estende por mais de três décadas. A omissão do estado brasileiro e do governo de Mato Grosso vem de longe e a situação dos quilombolas fica cada vez mais grave, já houve despejos, queima de barracos, pessoas presas e até conflitos armados.

 

Há quem acredita que a área é muito rica, em ouro, e isto aumenta a cobiça de todo tipo de gente gananciosa, aventureiros brancos, negros e roxos entre outros tipos étnicos. Os negros descendentes legítimos de escravos, além do direito de usucapião - caso as terras pertencessem, realmente, a sesmaria de brancos-, são vistos, também, como verdadeiros posseiros e proprietários, ainda que se tratasse de terras devolutas.

 

Com 495 famílias aguardando a demarcação da terra, a comunidade vive hoje numa área reduzida e são a todo o momento impedidos de cultivar até suas roças de subsistência. Mesmo assim, as mulheres e homens na luta pela demarcação do território de Mata Cavalo são iguais em direito, mas, alguns homens, segundo Dona Tereza, umas principais liderança da comunidade, na hora do vamos ver como é que fica… Falham.

 

Para Gonçalina Eva, uma das mais novas lideranças do Mato Cavalo, o fato das mulheres estarem à frente da luta pela demarcação do território, é uma estratégia feminina. Enquanto fazendeiros usam os artifícios do poder para justificar suas invasões, despejos, armas, autoritarismo, queima de casas e de plantações, o próprio Estado age com a omissão. E o governo não é a solução para o problema, pelo contrário: o governo é o problema.

 

 

 

No dia internacional do meio ambientes – 5 de junho deste ano - oito famílias de quilombolas - com cerca de 30 pessoas - foram despejadas da propriedade rural conhecida como fazenda Estiva, localizada no município de Nossa Senhora do Livramento (42 km de Cuiabá). Oficiais de Justiça, com o apoio da Polícia Federal, cumpriram um mandado de reintegração de posse expedida pelo juiz federal substituto da 2ª Vara, Marcelo Aguiar Machado. A ação foi impetrada pelo fazendeiro Miguel Santana da Costa, 64. Ele alega que a propriedade é familiar, foi passada para ele por seu pai e fora invadida por desconhecidos. Os quilombolas acusam os policiais federais de terem agido com arbitrariedade.

 

Três pessoas foram detidas acusadas de desacato a autoridade e obstrução de trabalho da justiça. Foram presos Gonçalina Eva de Almeida e Silva, uma das principais lideranças do Quilombo do Mata Cavalo e Adenito Alves e Emiliano Venâncio e Santos. "Moramos há oito anos neste local, tínhamos nossas casas, que agora foram derrubadas pela polícia, e nossa lavoura. Não é justo que de repente eles cheguem aqui sem nos avisar e, além de nos expulsar, destruam tudo e nos trate com brutalidade", disse Teresa Conceição Arruda, outra líder quilombola. Os proprietários alegam que a área é centenária, passada de pai para filho e fora invadida no dia em junho de 2003 por Norberto, que não estava no local no momento do despejo, e seus companheiros. Os invasores alegam que a base do direito é o título expedido pela Fundação Cultural Palmares e o Relatório antropológico dO INCRA apresentado em ação civil pública.

 

"Eu sou trabalhador, esta terra foi passado pelo meu avô para meu pai, que a deixou para mim. Estou apenas reivindicando o que já é meu e de minha família há mais de 100 anos", disse Miguel Santana, que se diz ser o dono da terra. A Fundação Cultural Palmares e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) já haviam recorrido da decisão antes mesmo da desocupação. O processo está tramitando no Tribunal Federal, em Brasília. De acordo com a Fundação Palmares há um estudo realizado pelo Incra que comprova que está área também faz parte do Quilombo Mata Cavalo, remanescente dos escravos.

  

 

 

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MORREU O ÚLTIMO COMUNISTA CONVICTO DO PANTANAL

 

Foi sepultado no final da manhã do dia 1 de julho o corpo do professor Carlos Reiners, considerado o maior expoente do movimento comunista em Mato Grosso. Aos 74 anos, ele morreu na noite de segunda-feira (30), vítima de falência múltipla dos órgãos.

 

 Além de parentes e amigos, o velório reuniu filiados a partidos historicamente ligados à Esquerda, como PT e PCdoB. Reiners estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São Matheus, em Cuiabá, há quatro dias. Há pouco mais de dois meses, ele passou a sentir fortes dores abdominais e acabou sendo submetido no período a duas cirurgias. Contudo, uma infecção se alastrou pelo organismo, provocando a morte do líder comunista, às 21h de segunda-feira. Há cerca de dois anos, Reiners vinha sofrendo abalos na saúde. Ele foi acometido por um câncer no estômago, além de conviver com os reflexos do Mal de Parkinson. Após o tratamento oncológico, familiares apontam que o estado de saúde era intermitente, entre períodos de aparente quadro estável e outros de complicações evidentes. O corpo de Carlinhos Reiners, como era conhecido no meio político, foi velado na capela Jardins e sepultado por volta do meio-dia.

 

Ele deixa esposa, cinco filhos e seis netos. Seu pai, de 101 anos, acompanhou a despedida. Em meio à comoção compartilhada entre a família e amigos, homenagens foram prestadas por pessoas presentes. Banners com a foto do professor estampavam a seguinte frase: “Camarada Carlos Reiners. Sua dedicação e luta servirão de exemplo para a atual e novas gerações. Viva a luta do povo! Viva o socialismo!”.

 

Em Mato Grosso, Reiners era tido como o último fiel revolucionário comunista. A palavra, mais que um rótulo político, era tida por Carlinhos como um verdadeiro prenome. Sem nenhuma filiação partidária, amigos relatam que ele se apresentava como genuinamente comunista, acima de siglas ou grupos políticos. O ‘título’ lhe rendeu, inclusive, destaque em livros e documentários. Após o passado de revolucionário, ele se dedicava há 30 anos a trabalhos comunitários, ao papel de professor e à pacata vida em Mimoso, distrito de Santo Antônio de Leverger. “Ele era muito ativo, apesar da doença. Era um homem dinâmico, trabalhador, simples e que gostava muito de viver”, declara Osvaldo Reiners, irmão de Carlinhos. Segundo parentes, as visitas a Cuiabá eram cada vez mais escassas e em grande parte eram reservadas à aquisição de livros e revistas, como a revista Caros Amigos, considerada leitura obrigatória na ‘cartilha’ comunista de Reiners. O corpo de Carlinhos foi sepultado no tradicional cemitério Nossa Senhora da Piedade, no Centro de Cuiabá.

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7 de abril de 2008

FÉ E POLÍTICA

Ele é Antônio Fernandes. Para alguns é um radical de esquerda, para outros é um homem de Deus. Há anos vem lutando por justiça ambiental nos partidos de esquerda da Capital de Mato Grosso, Cuiabá. Na vida comunitária dedica parte do seu tempo aos serviços pastorais da igreja católica. Na área profissional é gestor público da Prefeitura de Cuiabá. Nesta entrevista, exclusiva a Prosa Pantaneira fala da sua relação com a fé e a política.

Qual a visão, de um Ministro da Eucaristia, da Política, que é caracterizada pela esmagadora maioria como sinônima de corrupção?

O grande político deste mundo foi sem dúvidas Jesus Cristo, que usou o poder em beneficio do povo, e do povo mais sofrido, diga-se de passagem. Eu tenho uma visão muito positiva da política, pois foi o meio que Jesus Cristo usou e deixou para nos usarmos na transformação e construção da sociedade. É preciso diferenciar Política de “politicagem” e Político de “politiqueiro”. Erroneamente a sociedade trata a Política, que é a ciência de transformação, de Politicagem, generalizando a situação, claro que isso virou uma “cultura’ diante de tanto ato de corrupção praticado por politiqueiros e que encontra na impunidade sua maior defesa”, mas não devemos baixar a cabeça, pois existem pessoas que necessitam da nossa ajuda.

É possível na Política a trilogia paulina de Fé, Esperança e Caridade?

Sim, falo da verdadeira política, o fato de bons cristãos estarem se organizando e participando deste ato democrático. Significa a Fé em mudança e esperança de uma transformação neste modelo ultrapassado de representatividade do povo. E a Caridade só será possível a partir destas mudanças. Fazer bem ao próximo é a maior caridade ensinada por Jesus Cristo e desprezada pelos “políticos”.

Você militou em vários partidos de esquerda, como PT e PSB, agora virou tucano, tá em cima do muro?

A estrutura partidária ha muito tempo que já não existe mais, foi se o tempo em que o partido era dos filiados, agora o partido é de quem tem “poder”, ou seja, o partido é do “eleito”, independente se é o DEM ou o PT. Hoje Esquerda e a Direita é coisa do passado, lamentavelmente, existe apenas
Situação e Oposição, e a classificação disso é apenas quem esta no poder (situação) e quem esta fora do Poder (oposição). Não estou em cima do muro, ocorre que temos que buscar caminhos que nos leve no sentido do futuro e a sociais Democratas já provaram que pensa mais no futuro vivendo o presente. Os maiores avanços nas últimas duas décadas no Brasil, foram introduzidas pelos governos do PSDB. Estar em cima do muro é defender algo quando esta fora do poder e fazer outra quando chega ao poder!

Você ocupa cargo de confiança na administração do Prefeito Wilson Santos, isso contribuiu para deixar o PSB?

Não. Poderia muito bem ter decidido por entregar o DAS e continuar a militar lá, mas isto não resolveria o problema, quem esta dizendo que o governo do Wilson é atrasado, pratica coisas bem pior que o Wilson. O grupo que esta lá não tem um projeto claro para a população, o maior projeto em desenvolvimento lá é em criar uma nova oligarquia familiar, algo tão combatido na sociedade de hoje, além do que minha formação partidária não permite que eu aceite militar em um lugar que o objetivo seja o bem estar de um único, em detrimento dos outros.

Na onde o bicho pegou que você não ficou no PSB?

Na clareza de um projeto que não beneficie o todo, em não aceitar imposição güela abaixo, em não aceitar que o partido funcione conforme o interesse do grupo que esta no poder, em não aceitar o massacre da militância. A minha saída do PSB se deu pelo fato de que o partido passou a estar para o Deputado Valtenir ao invés do Deputado Valtenir estar para o PSB. O “simples” fato de eu ter sido impedido de pagar minha contribuição anual conforme o Estatuto e as decisões internas, artimanha usada para eu não participar do processo eleitoral interno, foi o bastante em se tratando
do um partido que carrega em sua sigla o “S” de Socialismo!

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17 de fevereiro de 2008

UM OLHAR MINEIRO COM FRAGMENTOS PANTANEIRO

Ela é Carla Ladeira Pimentel. Com a mineirice no sotaque e um pé fincado em Mato Grosso, foi pará na Europa em busca de novos conhecimentos. Para os amigos mais íntimos ela é simplesmente “Carlinha”. Mineira de Belo Horizonte, jornalista comprometida com as causas sociais, não tem medo de enfrentar novos desafios. Ambientalista por opção e ecologista de formação é também artista plástica com sutilezas poéticas no olhar.

Em sua passagem por Mato Grosso foi editora do caderno cidade do jornal A GAZETA, principal jornal da capital de Mato Grosso, Cuiabá. Andarilha do tipo mochileira, encontra-se vivendo na Europa, especificamente em Coimbra, Portugal, onde se encontra cursando doutorado sob a orientação de Boaventura Santos.

O mestrado fez quanto esteve em Mato Grosso na Universidade Federal (UFMT), na linha de pesquisa educação e meio ambiente, sob a orientação da surrealista, Michèle Sato.

Especialista em educação ambiental também pela UFMT, participou do projeto de educação ambiental para Amazônia (EDAMAZ), chegando receber prêmio do parlamento amazônico pelos excelentes serviços prestados como pesquisadora do Grupo Pesquisador em Educação Ambiental (GPEA/UFMT).

Nesta entrevista exclusiva A Jão Guató para a Prosa Pantaneira, agora como dona “Carla Ladeira Pimentel Águas”, fala-nos dos novos desafios e revela o segredo para viver um grande amor.

Guató-O que levou você a “chutar o pau da barraca” e deixar o Brasil?

Carlinha - Eu sempre fui bastante impetuosa, e isso trouxe coisas boas e ruins para a minha vida. Só agora, já pós-Balzaquiana, é que eu começo a colocar um tempero mais racional e calmo às minhas escolhas. E a vinda para Portugal foi um pouco isso: eu comecei a querer outra coisa, mudar de ares, mudar de dia-a-dia. Estava no jornalismo, e especialmente no jornalismo diário, há muitos anos, e sentia falta de outros tipos de experiência. A princípio, nem passava pela minha cabeça sair do Brasil.

Guató - Qual a sua percepção hoje do país morando na Europa?

Carlinha - É difícil responder a esta pergunta. Não posso falar por todos os brasileiros que estão fora do país, mas pelo menos para mim é difícil estar tão longe sem perder o foco. Ou seja: recebo informações sobre o Brasil filtradas pela grande mídia ou, no máximo, através de conversas esparsas com os amigos e a família. Mas uma coisa que ficou clara logo no início foi que é impossível resumir o Brasil

Guató - Em Mato Grosso você navegou pelos campos híbridos da educação ambiental com a pop star da EA brasileira Michèle Sato; o que foi possível aprender e ensinar nesta relação?

Carlinha - Vixe, mais uma pergunta difícil. Quanto ao “ensinar”, a gente nem sempre sabe direito o que e como ensina né? Mas o “aprender” é mais fácil de explicar. A Michèle é de uma generosidade incrível. Ela se doa mesmo, sem meias-palavras. E tem o maior prazer em abrir espaço para quem está começando e tem vontade de trabalhar. Esta postura carinhosa dela fez com que eu conseguisse entender melhor a própria Educação Ambiental. Porque não é só uma questão de teoria, é uma questão de carinho com as pessoas, de cuidado, de atenção, de solidariedade, de rompimento com a lógica economicista, de opção de vida.

Guató - O que você tem usado desta “aprendizagem ambiental pantaneira” na relação pedagógica com o velho mundo?

Carlinha - Bem, nós carregamos nas malas o que somos, né? O meio nos transforma, mas eu nunca vou deixar de ser mineira (o sotaque continua o mesmo), nem vou deixar de ter um pé em Mato Grosso. Mato Grosso foi um divisor de águas. Foi lá que se formou a minha visão Política, no sentido macro. Foi lá, no pantanal, na Amazônia, numa aldeia indígena ou na periferia de Cuiabá, que eu fiz o meu “Descobrimento do Brasil” particular. Isso foi decisivo. Aqui em Portugal, passei muito tempo sem trabalhar diretamente com a EA. Mas, depois de um “longo e tenebroso inverno”, começo a retomar o fio da meada.

Guató - Como jornalista e educadora ambiental, qual a sua opinião sobre os meios de comunicação brasileiros quando tratam dos problemas ambientais?

Carlinha - Para mim, é difícil fazer uma avaliação bem fundamentada, porque estou longe e não tenho acesso a grande parte do que é publicado pela mídia. Tenho acesso ao que está disponível na internet, o que não é muita coisa. Por isso, meu olhar fica limitado. Mas posso dizer, por exemplo, que a cobertura de jornais como “O Globo” me parece insuficiente. Muitas vezes também as coisas surgem desconectadas, sem pano de fundo, e aí é preciso que estrelas pop façam shows em vários pontos do mundo para que se comece a ouvir falar em aquecimento global. Porém, isso não difere muito do que se pode encontrar na imprensa daqui, quando normalmente meio ambiente só se torna notícia se o país inteiro começa a arder em chamas.

Guató - Como os nossos colonizadores portugueses tratam a EA no velho mundo?

Carlinha - Dentro desses limites, acho que o Brasil tem um discurso e uma investigação muito mais avançados. A Educação Ambiental aqui tem muito pela frente, enquanto teoria. Tanto que muitos dos que trabalham com o tema vão “beber nas fontes” brasileiras. Não posso generalizar, mas ainda há muito daquela confusão entre Educação Ambiental e natureza intocada, ou ela é resumida a dicas (de como economizar energia, por exemplo), mas com pouca discussão de fundo. Mas há que se observar que algumas coisas funcionam melhor, como a recolha seletiva de lixo, que é mais generalizada e uniforme aqui do que no Brasil.

Guató - Estamos sabendo que você está ingressando num programa de doutorado em Coimbra. Qual será sua proposta de tese?

Carlinha - Minha tese será sobre Mata Cavalo, aquela comunidade quilombola existente em Nossa Senhora do Livramento, Mato Grosso, e que até hoje trava duras batalhas para ter definitivamente o direito sobre as terras que lhe foram doadas em 1883. O tema me entusiasma muito e a minha maior expectativa é de que efetivamente sirva para alimentar o debate sobre o pós-colonialismo e, principalmente, seja um passo a mais rumo à solução concreta, real, do problema. Mesmo sabendo da limitação, que no meu caso é ainda mais grave por estar tão longe, quero entender e estar presente o máximo que me for possível, através deste doutorado que será o mote dos meus próximos quatro anos de vida. Acho uma oportunidade e tanta, especialmente porque o curso nasce das atividades do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, que, por sua vez, é encabeçado por Boaventura Sousa Santos, um mestre no debate da globalização e da resistência anti-hegemônica.

Guató - Agora como “dona Carla Pimentel”, qual a sua dica para viver um grande amor?
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Carlinha - É difícil dar dicas e fórmulas, mas é possível dizer que o amor é uma coisa que te aquece sem te queimar. Suplementa, não complementa. Reforça aquilo que a gente já é. Eu e o Nuno somos, para começar, amigos. Muito mesmo. E ele me dá o equilíbrio que a minha natural impetuosidade não me deixava ter. Sem paranóias, sem jogos, de uma simplicidade e de uma proximidade que eu até então desconhecia nas relações amorosas.

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30 de novembro de 2007

A ÁGUA E O VINHO DA EA NA VISÃO DE IRINEU TAMAIO

O entrevistado do "Prosa Pantaneira" desta semana e Irineu Tamaio da WWF-Brasil. Ele já atuou como professor do ensino fundamental durante 12 anos, e possui experiências de educação ambiental no movimento ambientalista, tendo atuado em ONG´s, Agencias de Cooperação, Governos municipais, estaduais e nos últimos 4 anos desempenhou o papel de gestor-educador no Departamento de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente. Atualmente encontra-se na coordenação do Programa de Educação para Sociedades Sustentáveis do WWF - Brasil. Também é Doutor em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília-UnB, com mestrado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas-UNICAMP (2000) e graduação em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo-PUC/SP (1987).

Guató - Para um doutor fresco da academia do planalto central brasileiro
qual é o papel da educação ambiental em tempos de aquecimento global?

Tamaio - A EA tem o papel de contribuir de forma ética e política para a
manutenção da vida diante do colapso vindouro.

Guató - Quais são os fracassos e sucessos da educação ambiental em sua opinião, como um dos dinossauros da EA no Brasil?

Tamaio - Sucessos: A sua institucionalização, a construção do ProNEA, da PNEA, a formação de grupos de educadores, redes, políticas públicas locais e regionais, Fóruns, Encontros…Os fracassos: Ainda não conseguimos capilarizar para muitos segmentos da sociedade, a não dialogiciade entre certos guetos de EA.

Guató - Você já viveu a experiência de ser chapa branca (governo), agora
volta para sociedade civil por meio da WWF Brasil, que diferença você estabelece do ponto de vista de construção de políticas públicas?

Tamaio - No movimento social é possível estabelecer um foco de ação que permita mobilizar uma população em um determinado território na construção de novas alternativas socioambientais.

Guató - Você viveu a experiência de montagem dos coletivos educadores da
DEA/MMA no pantanal de Mato Grosso e Mato Grosso sul, porque essa pendenga não anda?

Tamaio - Vejo essa proposta com uma ruptura paradigmática, e acredito que por isso está avançando na constituição de instâncias de participação
coletiva. Acredito que a proposta político pedagógica é muita arrojada e
que necessita de mais tempo e condições para implementação.

Guató - De que forma a WWF pensa a educação ambiental no pantanal?

Tamaio - O programa Pantanal para Sempre no seu componente de EA atua com a capacitação de lideranças sócio ambiental - pescadores, agentes comunitários, universitários - para atuarem em projetos de geração de renda, conservação e educação ambiental junto a comunidade, sobretudo no Mato Grosso do Sul. Apoio na formação de Coletivos de Educadores Ambientais juntamente com o MMA e parceiros (universidades, Embrapa Pantanal, Ibama, prefeituras) para realização de Coletivos na Região da Bacia Pantaneira, com objetivo de formar e capacitar aproximadamente lideranças ambientais e propiciar o intercâmbio das práticas e experiências bem sucedidas.

Guató - Por quê a WWF só implementou políticas de educação ambiental voltada para o pantanal, até momento, somente com Mato Grosso Sul?

Tamaio - A razão é que o WWF-Brasil iniciou sua ação de EA com o apoio as escolas pantaneira em Aquidauana e se consolidou no MS, no entanto,
reconhecemos a importância das regiões de cabeceiras que estão no MT e
pretendemos desenvolver ações de EA na região.

Guató - Para encerra gostaria de fazer um ping-pong. Cite  três celebridade da educação ambiental hoje no Brasil, em sua opinião?

Tamaio - Michèle Sato, Carlos Frederico Loureiro e Marcos Sorrentino.

Guató - Entre a água e o vinho o quê precisa acontecer para EA consolidar
em todos estados brasileiros?

Tamaio - É preciso mobilização e apoio das esferas governamentais.

Guató - Juventude e família: o que isto tem haver com educação ambiental?

Tamaio - Tem tudo a ver. As redes de Juventude pelo meio ambientes têm
demonstrado um grande movimento comprometido, mobilizado e catalisador da construção de uma EA crítica e emancipatória.

Guató - Beijo nas nádegas, e a sua mensagem aos leitores do prosa
pantaneira?

Tamaio - Que os leitores curtam o prosa pantaneira, que se propõe a ser mais em espaço de aprendizagem e trocas de uma forma menos tradicional. Com muita poesia, fotos, musicas, literaturas, entrevistas e desenhos.

criado por joaoguato    8:26 — Arquivado em: Sem categoria

2 de outubro de 2007

DONA TEREZA: MULHER NEGRA NA LUTA

 

Por: João Guató *

O conflito de terras em Mata Cavalo na localidade de Nossa Senhora do Livramento (que fica a 50 km da capital de Mato Grosso, Cuiabá), já se estende por mais de 30 anos. A omissão do poder público do Estado vem de longe e a situação dos quilombolas do Mata Cavalo é grave, já houve despejos, queima de barracos, pessoas presas e até conflitos armados.

Há quem acredita que a área é muito rica, em ouro, e isto aumenta a cobiça de todo tipo de gente gananciosa, aventureiros brancos, negros e roxos entre outros tipos étnicos.

Os negros, descendentes legítimos de escravos, além do direito de usucapião (caso as terras pertencessem, realmente, a sesmaria de brancos), são vistos, também, como verdadeiros posseiros e proprietários, ainda que se tratassem de terras devolutas, ou seja, pertencentes ao Estado".

Com 495 famílias, a comunidade vive hoje numa área reduzida impedindo o cultivo de roça de subsistência que não lhe garante a pão de cada dia das famílias. Mesmo assim, as mulheres e homens na luta pela terra são iguais em direito, alguns homens, segundo Dona Tereza, na hora do vamos ver como é fica…falham.

Enquanto fazendeiros usam os artifícios do poder para justificar suas invasões, despejos, armas, autoritarismo, queima de casas e de plantações, o próprio Estado age com a omissão. O governo não é a solução do problema, o governo é o problema.

Nesta entrevista inclusiva, Dona Tereza da Conceição, Presidente da Associação do Mato Cavalo, fala dos problemas que os quilombolas vem enfrentando na luta pela terra. Veja a entrevista na integra de João Guató da Rede Mato-Grossense de Educação Ambiental (REMTEA).

 

Guató – Dona Tereza, há quanto tempo à senhora vem lutando pela as terras do Quilombo Mata Cavalo?

D. Tereza – Eu nasci e fui criada nessas terras do Quilombo Mata-Cavalo. Estou com 7O anos, e meu pai com 102 anos (Antônio Mulato), também é filho do Quilombo. Então veja! Com todo esse tempo em cima da terra, nunca saímos de dentro do Quilombo.

Guató – Como está a luta hoje de posse pelas terras em litígio?

D. Tereza – Pelo o que estou vendo, já não tem o quê se fazer. Tudo que estava ao nosso alcance foi feito. Agora esta nas mãos dos responsáveis pelo Incra em Mato Grosso. Um documento foi elaborado por nos e entregue ao Presidente Lula. Agora estamos aguardando uma reunião que até o momento não foi marcada, apenas boatos. Acreditamos que desta vez será resolvido. Vamos ver…

Guató – O quê vocês esperam com esse documento entregue ao Presidente de Lula em passagem por Cuiabá?

D. Tereza – Nós esperamos com isto o titulo da terra. Queremos isto do Presidente Lula. No documento reivindicamos apoio para recebemos o título da terra, para que possamos trabalhar e expandir as nossas ações na comunidade. Temos 14 famílias com roças, criação de galinha e porco que foram despejados de suas terras dias atrás. Depois disto os fazendeiros colocaram gado nas terras. Eles acabam com as plantações. Destrói tudo que encontram pela frente.O problema é que essas famílias estavam produzindo e foram forçados pelos fazendeiros a abandonar a terra com ameaças. Até quando vamos vivem em nossas próprias terras sendo tratados desta forma?

Guató – No Governo Dante de Oliveira foi feita a Cadeia Dominial das terras do Mato Cavalo, ficou comprovado que é território de quilombola, aquilo não valeu?

D Tereza – Valeu sim! Mas o pessoal do Incra sumiu com os papéis. Agora disseram para nos que teríamos que fazer novamente a cadeia dominial. Lá no Incra tem muita gente boa, mas tem algumas pessoas que já até nos jogaram para fora do prédio. Aquele Clovis e o Leonel têm vezes que nem recebemos nós. Um dia mandou o segurança tirar nós lá de dentro.

 

Guató – Qual é a maior dificuldade que a senhora enfrenta nessa luta?

D. Tereza – O maior problema é a falta de empenho dos governantes, principalmente do Incra, que não se empenha na resolução dos problemas. Outro problema para nós é o Carlos Maciel, do cartório de registro de imóvel de Várzea Grande, que fez uma associação dos fazendeiros para contrapor a nossa luta. Ele tem dinheiro e nós não temos, então é ele mais quem não deixa a conversa a avançar.

Guató – Esta associação que a senhora preside é a associação mãe. isto quer dizer que existem outras associações, isto não enfraquece a luta?

D. Tereza – Enfraquece sim, mas quiseram assim. Por que antes da gente receber o titulo definitivo, já havia seis associações, mas eu sou a, mas velha por aqui registrada como presidente. Depois foi o pessoal do Mutuca. Cada associação tem o seu domínio territorial de Trabalho. Quiseram fazer assim, fizemos. Mas já passamos por muitas dificuldades com a nossa associação, mas sempre persistimos com a luta pela terra. As outras tiveram que mudar daqui, por causa das pressões…Somos seis famílias que nunca deixou o quilombo. Já passamos por serias dificuldades, mas sempre moramos aqui.

Guató – Hoje nesta comunidade há indícios de muitos barracos queimados, o quê a senhora atribui?

D. Tereza – Tem lugar que são os fazendeiros que mandam colocar fogo. Tem alguns lugares que a palha esta muito velha e qualquer faísca de fogo já incendeia. A minha filha na semana passada perdeu o barraco com todos móveis que tinha dentro. Estava fora, quando chegaram na casa estava tudo queimado. Ninguém sabe o que aconteceu…

Guató – Como à senhora encara a luta da mulher negra pela terra no Quilombo do Mata Cavalo?

D. Tereza – As mulheres aqui são de fibra, nascemos e fomos criadas aqui. Mesmo com as ameaças, estamos na luta e em pé para que tudo seja resolvido. Não temos medo. Temos esperança que tudo será resolvido. Com fé em Deus!

Guató – Como é a participação dos homens na luta pela terra?

D. Tereza – Aqui tem homem de força e de luta na nossa batalha. Temos muito homem que estão mais envolvidos com suas plantações. Todos ajudam de alguma forma. Mas também tem aquele que não encaram a luta de frente.

Guató – Qual a mensagem que a senhora deixa para as mulheres negras do Brasil?

D. Tereza – Que viva a mulher brasileira, que possam enfrentar as suas lutas, onde Deus possa dar força principalmente para as minhas amigas aqui do quilombo.

Guató –Qual é o seu grande desejo na luta por essas terras?

D. Tereza – Que todos que participaram dessa luta, possam estar assentados e com o titulo definitivo em suas mãos. Para que suas famílias possam criar e viver em paz no seu pedaço de terra.

* João Guató – É jornalista em Mato Grosso e Facilitador da Rede Mato-Grossense de Educação Ambiental.

criado por joaoguato    16:40 — Arquivado em: Sem categoria
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