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	<title>Prosa Pantaneira</title>
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	<description>A gente sabe que existem políticas públicas destinadas para a comunidade quilombola, só que pela falta de regularização fundiária estamos perdendo esses benefícios. Goncalina, liderança do Quilombo Mata Cavalo</description>
	<pubDate>Mon, 29 Dec 2008 12:52:01 +0000</pubDate>
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		<title>PANTANEIRO DE TCHAPA E CRUZ</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Dec 2008 14:42:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaoguato</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[CERIM&#212;NIA DO ADEUS 
&#8220;Meu &#250;ltimo livro est&#225; a&#237; lan&#231;ado agora (Mem&#243;rias Inventadas: A terceira Inf&#226;ncia), e tenho recebido muitos telefonemas do Brasil inteiro sobre esse livro, que &#233; um livrinho ex&#237;guo, sabe, mas &#233; meu ultimo livro. &#200; Alguma coisa que eu ainda precisava dizer.&#8221; Quem fala assim &#233; Manoel de Barros, que faz 92 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>CERIM&Ocirc;NIA DO ADEUS</strong> </p>
<p>&ldquo;Meu &uacute;ltimo livro est&aacute; a&iacute; lan&ccedil;ado agora (Mem&oacute;rias Inventadas: A terceira Inf&acirc;ncia), e tenho recebido muitos telefonemas do Brasil inteiro sobre esse livro, que &eacute; um livrinho ex&iacute;guo, sabe, mas &eacute; meu ultimo livro. &Egrave; Alguma coisa que eu ainda precisava dizer.&rdquo; Quem fala assim &eacute; Manoel de Barros, que faz 92 anos em 19 de dezembro, sem nenhuma pompa. O poeta do Pantanal &eacute; hoje o mais lido do Brasil: j&aacute; vendeu um milh&atilde;o de livros, o que o coloca como raridade no seleto clube dos best-sellers. Mas que ningu&eacute;m se engane: ele n&atilde;o liga muito para isso. Nem para o fato de, finalmente, ter traduzido o ingl&ecirc;s. E tamb&eacute;m para o alem&atilde;o, catal&atilde;o, espanhol e franc&ecirc;s. E explica: &ldquo;tenho paix&atilde;o pelas coisas sem import&acirc;ncia. As coisas muito importantes me aniquilam.&rdquo; Quase surdo com os olhos lacrimosos de quem pouco v&ecirc; rec&eacute;m recuperado da perda de um filho, morto h&aacute; um ano num acidente a&eacute;reo, Manoel de Barros n&atilde;o evita qualquer ritual de despedida. N&atilde;o precisa: quando escreve, paira acima das circunstancia do tempo. Acompanhe a entrevista concedida a Bosco Martins &ndash; em especial para o site &agrave; cidade, de Mato Grosso do Sul, e tamb&eacute;m encontra-se publicada na Revista Caros Amigos desta semana. </p>
<p><strong>A POESIA</strong> </p>
<p>Ganho muito dinheiro com a poesia. Eu vendo muito bem, sabe. Primeiro eu recebo um adiantamento, e da&iacute; fico recebendo pela vendagem dos livros e dos outros que j&aacute; est&atilde;o publicados. N&atilde;o &eacute; dinher&atilde;o, n&atilde;o &ndash; mas d&aacute; pra viver. E recebo muitos pr&ecirc;mios tamb&eacute;m. Acaba que d&aacute; uma boa m&eacute;dia. </p>
<p><strong>LAN&Ccedil;AMENTO NOS EUA</strong> </p>
<p>Eu n&atilde;o lan&ccedil;o nada. Essa palavra lan&ccedil;ar, l&aacute; em Cuiab&aacute; quer dizer vomitar. Ent&atilde;o eu nunca vomitei aqui nem vou vomitar l&aacute; fora. Eu sempre tive editores, sabe. O primeiro o &Ecirc;nio Silveira, da Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira, que conheceu por acaso, eu acho que me conheceu por acaso, eu acho que foi pela coluna do Mill&ocirc;r Fernandes, que teria lido um livro meu. Ele me telefonou, e eu fiquei espantado, bugre fica espantado, e me disse que queria publicar um livro meu. At&eacute; 60 anos eu n&atilde;o tinha editor, mas j&aacute; tinha publicado 8 livros. </p>
<p><strong>ESSA RAPAZIADA</strong> </p>
<p>Estou s&oacute; relendo. Essa rapaziada mais nova eu quase n&atilde;o leio, inclusive porque estou prejudicado. Leio vinte minutos e come&ccedil;o a lacrimejar. Ent&atilde;o eu leio as pessoas que j&aacute; conhe&ccedil;o e que gosto muito. Gosto de ler o Padre Antonio Vieira, Guimar&atilde;es Rosa, Machado de Assis, e o velho testamento: os profetas do velho testamento. Sou fan&aacute;tico pelo velho &ndash; pela literatura, como livros de arte. N&atilde;o encaro aquilo como livro religioso &ndash; tamb&eacute;m me interessa, mas gosto principalmente dos profetas, me agrada muito a linguagem. Mas me angustia, sim, essa coisa de ler pouco. Porque eu acho que a literatura e qualquer arte servem para desabrochar a imagina&ccedil;&atilde;o. E se voc&ecirc; n&atilde;o tem boa leitura, n&atilde;o tem boa musica, n&atilde;o tem boa pintura, a sua imagina&ccedil;&atilde;o, pelo menos a minha, eu acho que fica um pouco embotada, fica um pouco sem caminho e n&atilde;o desabrocha. Eu tenho escrito muito pouco, a minha imagina&ccedil;&atilde;o criadora est&aacute; muito prejudicada. Eu estou bem cadastrado, sabe. Mas n&atilde;o &eacute; culpa minha, velho &eacute; isso mesmo, tem limita&ccedil;&otilde;es. A gente tem que aceitar sem chorar. </p>
<p><strong>O DOM DA PALAVRA</strong> </p>
<p>Primeiro eu sou crist&atilde;o, acredito n dom. A pessoa nasce como uma predisposi&ccedil;&atilde;o, que eu chamo de dom para arte. Eu acho que nasci com esse dom. Porque desde que me entendi por gente, com 13 anos, interno no Col&eacute;gio dos Maristas. Que eu fui ler pela primeira vez o Padre Antonio Vieira, foi que descobri que era poesia, o que era uma aplica&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria pela palavra. Eu fiquei apaixonado pela palavra. Voc&ecirc; sabe o que &eacute; se apaixonar pela palavra? &Eacute; voc&ecirc; sonhar com ela, e voc&ecirc; tomar nota, e de manha voc&ecirc; saber se ela dormiu&#8230; A partir disso, eu nunca mais quis me aplicar a outra coisa. Eu achei que isso era a minha &uacute;nica destina&ccedil;&atilde;o. Eu acho que poesia &eacute; um parafuso a mais na cabe&ccedil;a. E nunca mais saiu da minha cabe&ccedil;a essa predestina&ccedil;&atilde;o, essa tara, esse homic&iacute;dio, essa obsess&atilde;o pela palavra. Desde que comecei a ler o Vieira, eu tamb&eacute;m comecei a escrever. Escrevi para o meu pai e para minha m&atilde;e que j&aacute; tinha descoberto a minha voca&ccedil;&atilde;o, que n&atilde;o era para m&eacute;dico, dentista, ou engenheiro; era pra fazer frase. Eu chamo isso de dom. </p>
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		<title>ICONOGRAFIA DA NOSSA SENHORA DO PANTANAL</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Jul 2008 09:32:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaoguato</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[
O que a Nossa Senhora do Pantanal
&#201; um novo t&#237;tulo da Virgem Maria. NOSSA SENHORA DO PANTANAL! &#201; a &#8220; &#8220;senhora nossa&#8221;, a senhora &#8220;de todos n&#243;s&#8221; porque simplesmente &#233; a &#8220;m&#227;e de Jesus&#8221;. Uma s&#243; &#233; &#8220;NOSSA SENHORA&#8230;DOS MIL NOMES&#8221; que lhe damos por causa do amor devoto que lhe dedicamos. N&#227;o ficamos parados [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img alt="" src="http://prosapantaneira.blog.terra.com.br/files/2008/07/a11-nossa-senhora.jpg" /></p>
<p><strong>O que a Nossa Senhora do Pantanal</strong></p>
<p>&Eacute; um novo t&iacute;tulo da Virgem Maria. NOSSA SENHORA DO PANTANAL! &Eacute; a &ldquo; &ldquo;senhora nossa&rdquo;, a senhora &ldquo;de todos n&oacute;s&rdquo; porque simplesmente &eacute; a &ldquo;m&atilde;e de Jesus&rdquo;. Uma s&oacute; &eacute; &ldquo;NOSSA SENHORA&#8230;DOS MIL NOMES&rdquo; que lhe damos por causa do amor devoto que lhe dedicamos. N&atilde;o ficamos parados em Nossa Senhora, N&atilde;o! Atrav&eacute;s dela chegamos facilmente a Jesus, pois, Ele &eacute; o &ldquo; caminho, a verdade e a vida&rdquo;, somente Ele, Jesus, &eacute; o primog&ecirc;nito de toda cria&ccedil;&atilde;o, pois &eacute; nele que foram criadas todas as coisas todas as coisas, no c&eacute;u e na terra, /&#8230;/ tudo foi criado atrav&eacute;s dele e para ele&rdquo;. (Cl 1,5ss) </p>
<p><strong>Fundamenta&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica do novo t&iacute;tulo</strong> </p>
<p>Quando, h&aacute; alguns anos &ndash; 04 de outubro/1982, o Dr. Gabriel Vandoni de Barros sugeriu o nome de &ldquo;Nossa Senhora do Pantanal&rdquo; &aacute; pequena imagem que surgiu dos dedos da senhora Ida Sanches M&ocirc;nacona, ent&atilde;o, incipiente Casa do Massa Barro Artesanato do Pantanal, a nossa fauna e flora come&ccedil;aram a ser a inspira&ccedil;&atilde;o na mente dos pequenos artes&otilde;es &ndash; as crian&ccedil;as e jovens &ndash; para que a rua n&atilde;o fosse o seu passatempo, e sim, o manuseio do barro mostrasse a Cultura t&iacute;pica da alma Pantaneira. </p>
<p><strong>Como &eacute; a imagem de nossa Senhora Pantanal<br /></strong></p>
<p>O modelo padr&atilde;o revela os tra&ccedil;os de Nossa Senhora Aparecida. A virgem morena est&aacute; de p&eacute;, fei&ccedil;&otilde;es finas, m&atilde;os sobrepostas ao peito, toda envolta em manto bordado com folha e flores de camalotes nas cores verdes e lil&aacute;s. Traz sobre a cabe&ccedil;a uma linda coroa das pequenas folhas e flores do camalote sobre a cabe&ccedil;a simbolizam o &iacute;ntimo relacionamento da Virgem Maria com as Pessoas da Sant&iacute;ssima Trindade: Filha Predileta do Pai; M&atilde;e de Jesus e Sacr&aacute;rio do Esp&iacute;rito Santo. </p>
<p><strong>Nova dire&ccedil;&atilde;o na nossa hist&oacute;ria</strong> </p>
<p>A primeira imagem de Nossa Senhora Do Pantanal que serviu para o ato de oficializar tal t&iacute;tulo tem aos p&eacute;s da Santa uma cortina de camalotes e um par de sand&aacute;lias, uma sobreposta &agrave; outra. Das rendas camalotes surge a moura Senhora do Pantanal. O &ldquo;par das sand&aacute;lias deixa aos p&eacute;s de Nossa Senhora as lend&aacute;riaa sand&aacute;lias do Frei Mariano&rdquo;, s&iacute;mbolo de um lament&aacute;vel estado de culpa do povo por sentir incapaz de defender o mission&aacute;rio de cal&uacute;nias e maus tratos. A &ldquo; praga do Frei Mariano&rdquo; &eacute; um estigma hist&oacute;rico que ainda est&aacute; presente em algumas mentes. Oficializar o t&iacute;tulo de nossa Senhora do Pantanal aos 21 de setembro de 2001 &ndash; anivers&aacute;rio da cidade de Corumb&aacute; e inicio da primavera &ndash; significou iniciar um novo tempo de b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os divinas do terceiro mil&ecirc;nio e fortalecer a auto-estima de todos as corumbaenses em sua hist&oacute;ria. </p>
<p></p>
<p><strong>Padroeira do Pantanal</strong> </p>
<p>A virgem Maria, sob o t&iacute;tulo de &ldquo;Nossa Senhora da Candel&aacute;ria&rdquo;, &eacute; padroeira da cidade que nasceu como &ldquo;santa Cruz de Corumb&aacute;&rdquo;. Foi tamb&eacute;m declarado aos 21 de setembro de 2001 &ldquo; Nossa Senhora do Pantanal&rdquo;o maior parque ecol&oacute;gico do mundo. &ldquo; Nossa Senhora do Pantanal, rogai por n&oacute;s!&rdquo; </p>
<p></p>
<p>&nbsp;<img src="http://prosapantaneira.blog.terra.com.br/files/2008/07/mata-cavalo-0706-014.jpg" alt="" /></p>
<p>Em quase&nbsp;todo casa pantaneiro existe um nicho de santos da igreja cat&oacute;lica. O que isto tem a ver com a conserva&ccedil;&atilde;o do pantanal? </p>
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		<title>MULHERES DE RAÇA DO MATA CAVALO</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Jul 2008 09:01:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaoguato</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[
Nesta entrevista inclusiva, a mais nova lideran&#231;a do Quilombo de Mata&#160;Cavalo, Gon&#231;alina Eva, fala da luta das mulheres do Mata Cavalo pela demarca&#231;&#227;o do territ&#243;rio quilombola.Veja a entrevista na integra de J&#227;o Guat&#243; da Rede Mato-Grossense de Educa&#231;&#227;o Ambiental (REMTEA). 
Como est&#225; &#224; situa&#231;&#227;o da demarca&#231;&#227;o do territ&#243;rio quilombola em Mata Cavalo? 
De acordo com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img height="334" alt="" src="http://prosapantaneira.blog.terra.com.br/files/2008/07/mata-cavalo-0706-147.jpg" width="409" /></p>
<p>Nesta entrevista inclusiva, a mais nova lideran&ccedil;a do Quilombo de Mata&nbsp;Cavalo, Gon&ccedil;alina Eva, fala da luta das mulheres do Mata Cavalo pela demarca&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio quilombola.Veja a entrevista na integra de J&atilde;o Guat&oacute; da Rede Mato-Grossense de Educa&ccedil;&atilde;o Ambiental (REMTEA). </p>
<p><strong>Como est&aacute; &agrave; situa&ccedil;&atilde;o da demarca&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio quilombola em Mata Cavalo?</strong> </p>
<p>De acordo com o decreto de demarca&ccedil;&atilde;o dos territ&oacute;rios quilombolas, estamos em fase de desapropria&ccedil;&atilde;o, porque j&aacute; foram feitas as notifica&ccedil;&otilde;es e passou o prazo que os fazendeiros tinham para contestar o processo demarcat&oacute;rio. Segundo o que vimos no Incra, mais ou menos 15 fazendeiros contestaram o processo de demarca&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio como quilombola. Ent&atilde;o estamos aguardando a desapropria&ccedil;&atilde;o, que &eacute; a etapa final para desapropria&ccedil;&atilde;o. </p>
<p><strong>Quantos fazendeiros reivindicam a posse da terra em Mata cavalo?</strong> </p>
<p>Entre os pequenos fazendeiros, sem terras, poceiros e os grandes propriet&aacute;rios, t&ecirc;m um total de aproximadamente 120 pessoas. </p>
<p><strong>Na gest&atilde;o do Governo Dante de Oliveira foi realizado a cadeia dominial desta &aacute;rea, porque o Incra tem que fazer tudo novamente?</strong> </p>
<p>Na realidade quando o Intermat (Instituto de Terras de Mato Grosso) realizou esse trabalho, ele fez apenas de uma &aacute;rea de onze mil hectares de terras, abrangendo tr&ecirc;s a quatro fazendas desta regi&atilde;o. No entanto, de acordo com o decreto de reconhecimento do territ&oacute;rio Quilombola, &eacute; a comunidade que indica o seu territ&oacute;rio, e na &eacute;poca este requisito n&atilde;o tinha sido obedecido no processo. Ent&atilde;o quando passou pela comunidade de Mata Cavalo, ela mostrou que seu territ&oacute;rio abrangia quinze mil hectares. Com isto, tornou-se necess&aacute;rio que o Incra realizasse outro trabalho identifica&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio de quilombo Mata Cavalo. Isto foi necess&aacute;rio at&eacute; para atualizar, pois o trabalho do Intermat j&aacute; tem mais de dez anos. </p>
<p><img src="http://prosapantaneira.blog.terra.com.br/files/2008/07/goncalina.jpg" alt="" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p></p>
<p><strong>Com a presen&ccedil;a do Presidente lula em Mato Grosso, no lan&ccedil;amento do PAC vo&ccedil;&ecirc;s entregaram um documento, o que voc&ecirc;s reivindicaram? <br /></strong></p>
<p>Reivindicamos mais empenho do Incra de Mato Grosso no trabalho de identifica&ccedil;&atilde;o e reconhecimento do nosso territ&oacute;rio, pois o Incra de Mato Grosso e muito lento no processo de demarca&ccedil;&atilde;o dos territ&oacute;rios Quilombolas. Sem contar que eles n&atilde;o s&atilde;o compromissados com os quilombolas. Mesmo tento uma coordenadoria de quilombola dentro de Incra, a gente v&ecirc; que na verdade, o superintendente n&atilde;o empenha na regulariza&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio de Mata Cavalo. Por outro lado, a comunidade tem problemas com a educa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as, moradia, entre outros. A gente sabe que existem pol&iacute;ticas p&uacute;blicas destinadas para a comunidade quilombola, s&oacute; que pela falta de regulariza&ccedil;&atilde;o fundi&aacute;ria estamos perdendo esses benef&iacute;cios. Temos casas que foram queimadas por ser de palha, a causa n&atilde;o sabemos se foi curto circuito, ou fogo do campo. Mas se tiv&eacute;ssemos uma casa de material isso seria mais dif&iacute;cil de acontecer. Ent&atilde;o fam&iacute;lias est&atilde;o sendo desabrigadas e prejudicadas pela falta dessas das pol&iacute;ticas compensat&oacute;rias que n&atilde;o chegam at&eacute; a comunidade do Mato Cavalo. A energia chegou aqui pela metade, ent&atilde;o a comunidade n&atilde;o pode cont&iacute;nua sendo despejada e vivendo nestas condi&ccedil;&otilde;es desumana pela falta de empenho do Incra em Mato Grosso. Esse &eacute; um direito constitucional que temos de nossas fam&iacute;lias morar e viver com dignidade no territ&oacute;rio quilombola. </p>
<p><strong>Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; educa&ccedil;&atilde;o escolar, qual o problema que voc&ecirc;s est&atilde;o enfrentando?</strong> </p>
<p>A Prefeitura de Livramento entregou um projeto para o Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o e eles n&atilde;o deixaram &agrave; prefeitura construir a escola no quilombo porque n&atilde;o t&iacute;nhamos o t&iacute;tulo da terra registrado em cart&oacute;rio em nome da comunidade. E como MEC tem requisitos que n&atilde;o permite a constru&ccedil;&atilde;o de escola em &aacute;rea de conflito, acabamos n&atilde;o obtendo o direito a edifica&ccedil;&atilde;o de uma escola. Eles destinam as pol&iacute;ticas para os quilombolas, mas n&atilde;o conhecem a realidade que vivemos. Assim, acaba ficando dif&iacute;cil para nos sermos beneficiado com as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Como a maioria das comunidades quilombolas n&atilde;o tem o documento, sofrem todo tipo de despejos. Com isto, temos o projeto, existe o dinheiro, mas n&atilde;o podemos obter o beneficio. Ou seja, n&atilde;o chega onde tem que chegar. </p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong>E Governo Blairo Maggi, como tem tratado a comunidade de Mata Cavalo?</strong> </p>
<p>No seu primeiro mandado ele n&atilde;o deu nenhuma aten&ccedil;&atilde;o. No segundo estamos sentido que est&aacute; iniciando. Lentamente est&aacute; come&ccedil;ando algumas a&ccedil;&otilde;es. Inclusive j&aacute; existem recursos assegurados nas dota&ccedil;&otilde;es or&ccedil;ament&aacute;ria das pol&iacute;ticas dos planos de governo. H&aacute; at&eacute; recursos para trabalhar a regulariza&ccedil;&atilde;o fundi&aacute;ria em quilombo. Parece que o governo d&aacute; querendo trabalhar com essas comunidades. </p>
<p><strong>Percebe-se que no Mata Cavalo uma grande parte das lideran&ccedil;as s&atilde;o mulheres, isso significa que os homens n&atilde;o est&atilde;o envolvidos com a luta pela demarca&ccedil;&atilde;o dos territ&oacute;rios quilombola?</strong>&nbsp;</p>
<p>Pelo contr&aacute;rio. At&eacute; porque a viol&ecirc;ncia com os homens &eacute; maior. E as mulheres viram que elas t&ecirc;m esse poder de negociar por ser mais fr&aacute;gil que os homens. E o pessoal ficar com medo de agredir as mulheres nos momentos do conflito. Com isto elas come&ccedil;aram a tomar conta da luta pela demarca&ccedil;&atilde;o do nosso territ&oacute;rio. Agora isto n&atilde;o significa que os homens n&atilde;o estejam na luta pela terra. Com certeza eles est&atilde;o tamb&eacute;m envolvidos neste processo. Est&atilde;o na realidade na retaguarda e respeitam as decis&otilde;es que tomamos. </p>
<p><strong>Ent&atilde;o o fato das mulheres estarem &agrave; frente da luta &eacute; uma estrat&eacute;gia feminina em Mata Cavalo? <br /></strong></p>
<p>Exatamente, &eacute; uma estrat&eacute;gia feminina. Por que a gente sabe que ao lado de uma grande mulher existe um grande homem. </p>
<p><strong>Como voc&ecirc; encara a luta da mulher negra pela posse da terra?</strong>&nbsp;</p>
<p>Acho que isto vem das nossas ra&iacute;zes africanas. Quando voc&ecirc; ler a hist&oacute;ria da &Aacute;frica, percebe-se que sociedade era matrilinear, onde a mulher tinha o poder de resolver os problemas e tomar conta da situa&ccedil;&atilde;o. Ent&atilde;o esses passos v&ecirc;m de longe e &eacute; natural entre nos. Quando agente v&ecirc; outras comunidades &eacute;tnicas com problema de mulheres sendo agredidas por rela&ccedil;&otilde;es machistas, achamos estranha essa atitude, porque em nossa comunidade n&atilde;o vemos isso. Aqui realmente temos a igualdade de g&ecirc;nero. </p>
<p><strong>Esta igualdade ela se d&aacute; e &eacute; garantida de que forma?</strong> </p>
<p>Como j&aacute; disse. Acho que &eacute; da nossa cultura africana. Vimos os nossos antepassados agindo com uma rela&ccedil;&atilde;o diferente e vamos incorporando isso naturalmente. Aqui a maioria das &lsquo;rezadeiras&rsquo; &eacute; mulher. Tem mulher que trabalha na ro&ccedil;a, cuida dos filhos e da casa, &eacute; ainda &eacute; a chefe da fam&iacute;lia. E t&ecirc;m outras que o marido estar sempre junto em toda lida da comunidade. V&atilde;o inclusive para ro&ccedil;a juntos. &Eacute; esse o nosso conv&iacute;vio. Aceitamos sem nenhum problema essa rela&ccedil;&atilde;o. E todo mundo chega e aceita essa rela&ccedil;&atilde;o. E dif&iacute;cil voc&ecirc; ver na comunidade problema de marido que bateu na esposa. Tem as separa&ccedil;&otilde;es, mas isso acontece porque estamos numa sociedade moderna que vive esse tipo de situa&ccedil;&atilde;o. Mas a quest&atilde;o da viol&ecirc;ncia contra mulher n&atilde;o se v&ecirc; na comunidade quilombola. </p>
<p><strong>Qual a sua mensagem para as mulheres negra mato-grossense? </strong></p>
<p>Gon&ccedil;alina &ndash; F&eacute;, esperan&ccedil;a e coragem. N&oacute;s vamos vencer essa luta. </p>
<p><img alt="" src="http://prosapantaneira.blog.terra.com.br/files/2008/07/mata-cavalo-0706-139.jpg" /></p>
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		<title>TERRITÓRIO QUILOMBOLA</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Jul 2008 08:51:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaoguato</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[
&#160;O conflito pela demarca&#231;&#227;o do territ&#243;rio Quilombola de Mata Cavalo na localidade de Nossa Senhora do Livramento - que fica a 50 km da capital de Mato Grosso, Cuiab&#225; -, j&#225; se estende por mais de tr&#234;s d&#233;cadas. A omiss&#227;o do estado brasileiro e do governo de Mato Grosso vem de longe e a situa&#231;&#227;o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img height="225" alt="" src="http://prosapantaneira.blog.terra.com.br/files/2008/07/mata-cavalo-0706-130.jpg" width="394" /></p>
<p align="justify">&nbsp;O conflito pela demarca&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio Quilombola de Mata Cavalo na localidade de Nossa Senhora do Livramento - que fica a 50 km da capital de Mato Grosso, Cuiab&aacute; -, j&aacute; se estende por mais de tr&ecirc;s d&eacute;cadas. A omiss&atilde;o do estado brasileiro e do governo de Mato Grosso vem de longe e a situa&ccedil;&atilde;o dos quilombolas fica cada vez mais grave, j&aacute; houve despejos, queima de barracos, pessoas presas e at&eacute; conflitos armados. </p>
<p>&nbsp;</p>
<p>H&aacute; quem acredita que a &aacute;rea &eacute; muito rica, em ouro, e isto aumenta a cobi&ccedil;a de todo tipo de gente gananciosa, aventureiros brancos, negros e roxos entre outros tipos &eacute;tnicos. Os negros descendentes leg&iacute;timos de escravos, al&eacute;m do direito de usucapi&atilde;o - caso as terras pertencessem, realmente, a sesmaria de brancos-, s&atilde;o vistos, tamb&eacute;m, como verdadeiros posseiros e propriet&aacute;rios, ainda que se tratasse de terras devolutas. </p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Com 495 fam&iacute;lias aguardando a demarca&ccedil;&atilde;o da terra, a comunidade vive hoje numa &aacute;rea reduzida e s&atilde;o a todo o momento impedidos de cultivar at&eacute; suas ro&ccedil;as de subsist&ecirc;ncia. Mesmo assim, as mulheres e homens na luta pela demarca&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio de Mata Cavalo s&atilde;o iguais em direito, mas, alguns homens, segundo Dona Tereza, umas principais lideran&ccedil;a da comunidade, na hora do vamos ver como &eacute; que fica&#8230; Falham. </p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Para&nbsp;Gon&ccedil;alina Eva, uma das mais novas lideran&ccedil;as do Mato Cavalo, o fato das mulheres estarem &agrave; frente da luta pela demarca&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio, &eacute; uma estrat&eacute;gia feminina. Enquanto fazendeiros usam os artif&iacute;cios do poder para justificar suas invas&otilde;es, despejos, armas, autoritarismo, queima de casas e de planta&ccedil;&otilde;es, o pr&oacute;prio Estado age com a omiss&atilde;o. E o governo n&atilde;o &eacute; a solu&ccedil;&atilde;o para o problema, pelo contr&aacute;rio: o governo &eacute; o problema. </p>
<p><img alt="" src="http://prosapantaneira.blog.terra.com.br/files/2008/07/mata-cavalo-0706-030.jpg" />&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>No dia internacional do meio ambientes &ndash; 5 de junho deste ano - oito fam&iacute;lias de quilombolas - com cerca de 30 pessoas - foram despejadas da propriedade rural conhecida como fazenda Estiva, localizada no munic&iacute;pio de Nossa Senhora do Livramento (42 km de Cuiab&aacute;). Oficiais de Justi&ccedil;a, com o apoio da Pol&iacute;cia Federal, cumpriram um mandado de reintegra&ccedil;&atilde;o de posse expedida pelo juiz federal substituto da 2&ordf; Vara, Marcelo Aguiar Machado. A a&ccedil;&atilde;o foi impetrada pelo fazendeiro Miguel Santana da Costa, 64. Ele alega que a propriedade &eacute; familiar, foi passada para ele por seu pai e fora invadida por desconhecidos. Os quilombolas acusam os policiais federais de terem agido com arbitrariedade. </p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Tr&ecirc;s pessoas foram detidas acusadas de desacato a autoridade e obstru&ccedil;&atilde;o de trabalho da justi&ccedil;a. Foram presos Gon&ccedil;alina Eva de Almeida e Silva, uma das principais lideran&ccedil;as do Quilombo do Mata Cavalo e Adenito Alves e Emiliano Ven&acirc;ncio e Santos. &quot;Moramos h&aacute; oito anos neste local, t&iacute;nhamos nossas casas, que agora foram derrubadas pela pol&iacute;cia, e nossa lavoura. N&atilde;o &eacute; justo que de repente eles cheguem aqui sem nos avisar e, al&eacute;m de nos expulsar, destruam tudo e nos trate com brutalidade&quot;, disse Teresa Concei&ccedil;&atilde;o Arruda, outra l&iacute;der quilombola. Os propriet&aacute;rios alegam que a &aacute;rea &eacute; centen&aacute;ria, passada de pai para filho e fora invadida no dia em junho de 2003 por Norberto, que n&atilde;o estava no local no momento do despejo, e seus companheiros. Os invasores alegam que a base do direito &eacute; o t&iacute;tulo expedido pela Funda&ccedil;&atilde;o Cultural Palmares e o Relat&oacute;rio&nbsp;antropol&oacute;gico dO INCRA&nbsp;apresentado em a&ccedil;&atilde;o civil p&uacute;blica. </p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&quot;Eu sou trabalhador, esta terra foi passado pelo meu av&ocirc; para meu pai, que a deixou para mim. Estou apenas reivindicando o que j&aacute; &eacute; meu e de minha fam&iacute;lia h&aacute; mais de 100 anos&quot;, disse Miguel Santana, que se diz ser o dono da terra. A Funda&ccedil;&atilde;o Cultural Palmares e o Instituto Nacional de Coloniza&ccedil;&atilde;o e Reforma Agr&aacute;ria (Incra) j&aacute; haviam recorrido da decis&atilde;o antes mesmo da desocupa&ccedil;&atilde;o. O processo est&aacute; tramitando no Tribunal Federal, em Bras&iacute;lia. De acordo com a Funda&ccedil;&atilde;o Palmares h&aacute; um estudo realizado pelo Incra que comprova que est&aacute; &aacute;rea tamb&eacute;m faz parte do Quilombo Mata Cavalo, remanescente dos escravos. </p>
<p>&nbsp;<img height="292" alt="" src="http://prosapantaneira.blog.terra.com.br/files/2008/07/mata-cavalo-0706-077.jpg" width="300" />&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>MORREU O ÚLTIMO COMUNISTA CONVICTO DO PANTANAL</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Jul 2008 08:33:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaoguato</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[&#160;
Foi sepultado no final da manh&#227; do dia 1 de julho&#160;o corpo do professor Carlos Reiners, considerado o maior expoente do movimento comunista em Mato Grosso. Aos 74 anos, ele morreu na noite de segunda-feira (30), v&#237;tima de fal&#234;ncia m&#250;ltipla dos &#243;rg&#227;os.
&#160;
&#160;Al&#233;m de parentes e amigos, o vel&#243;rio reuniu filiados a partidos historicamente ligados &#224; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img height="180" src="http://prosapantaneira.blog.terra.com.br/files/2008/07/reiner.jpg" width="414" alt="" />&nbsp;</p>
<p align="justify">Foi sepultado no final da manh&atilde; do dia 1 de julho&nbsp;o corpo do professor Carlos Reiners, considerado o maior expoente do movimento comunista em Mato Grosso. Aos 74 anos, ele morreu na noite de segunda-feira (30), v&iacute;tima de fal&ecirc;ncia m&uacute;ltipla dos &oacute;rg&atilde;os.</p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify">&nbsp;Al&eacute;m de parentes e amigos, o vel&oacute;rio reuniu filiados a partidos historicamente ligados &agrave; Esquerda, como PT e PCdoB. Reiners estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital S&atilde;o Matheus, em Cuiab&aacute;, h&aacute; quatro dias. H&aacute; pouco mais de dois meses, ele passou a sentir fortes dores abdominais e acabou sendo submetido no per&iacute;odo a duas cirurgias. Contudo, uma infec&ccedil;&atilde;o se alastrou pelo organismo, provocando a morte do l&iacute;der comunista, &agrave;s 21h de segunda-feira. H&aacute; cerca de dois anos, Reiners vinha sofrendo abalos na sa&uacute;de. Ele foi acometido por um c&acirc;ncer no est&ocirc;mago, al&eacute;m de conviver com os reflexos do Mal de Parkinson. Ap&oacute;s o tratamento oncol&oacute;gico, familiares apontam que o estado de sa&uacute;de era intermitente, entre per&iacute;odos de aparente quadro est&aacute;vel e outros de complica&ccedil;&otilde;es evidentes. O corpo de Carlinhos Reiners, como era conhecido no meio pol&iacute;tico, foi velado na capela Jardins e sepultado por volta do meio-dia. </p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify">Ele deixa esposa, cinco filhos e seis netos. Seu pai, de 101 anos, acompanhou a despedida. Em meio &agrave; como&ccedil;&atilde;o compartilhada entre a fam&iacute;lia e amigos, homenagens foram prestadas por pessoas presentes. Banners com a foto do professor estampavam a seguinte frase: &ldquo;Camarada Carlos Reiners. Sua dedica&ccedil;&atilde;o e luta servir&atilde;o de exemplo para a atual e novas gera&ccedil;&otilde;es. Viva a luta do povo! Viva o socialismo!&rdquo;. </p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify">Em Mato Grosso, Reiners era tido como o &uacute;ltimo fiel revolucion&aacute;rio comunista. A palavra, mais que um r&oacute;tulo pol&iacute;tico, era tida por Carlinhos como um verdadeiro prenome. Sem nenhuma filia&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria, amigos relatam que ele se apresentava como genuinamente comunista, acima de siglas ou grupos pol&iacute;ticos. O &lsquo;t&iacute;tulo&rsquo; lhe rendeu, inclusive, destaque em livros e document&aacute;rios. Ap&oacute;s o passado de revolucion&aacute;rio, ele se dedicava h&aacute; 30 anos a trabalhos comunit&aacute;rios, ao papel de professor e &agrave; pacata vida em Mimoso, distrito de Santo Ant&ocirc;nio de Leverger. &ldquo;Ele era muito ativo, apesar da doen&ccedil;a. Era um homem din&acirc;mico, trabalhador, simples e que gostava muito de viver&rdquo;, declara Osvaldo Reiners, irm&atilde;o de Carlinhos. Segundo parentes, as visitas a Cuiab&aacute; eram cada vez mais escassas e em grande parte eram reservadas &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o de livros e revistas, como a revista Caros Amigos, considerada leitura obrigat&oacute;ria na &lsquo;cartilha&rsquo; comunista de Reiners. O corpo de Carlinhos foi sepultado no tradicional cemit&eacute;rio Nossa Senhora da Piedade, no Centro de Cuiab&aacute;. </p>
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		<title>FÉ E POLÍTICA</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Apr 2008 17:21:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaoguato</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[
Ele &#233; Ant&#244;nio Fernandes. Para alguns &#233; um radical de esquerda, para outros &#233; um homem de Deus. H&#225; anos vem lutando por justi&#231;a ambiental nos partidos de esquerda da Capital de Mato Grosso, Cuiab&#225;. Na vida comunit&#225;ria dedica parte do seu tempo aos servi&#231;os pastorais da igreja cat&#243;lica. Na &#225;rea profissional &#233; gestor p&#250;blico [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img height="225" src="http://prosapantaneira.blog.terra.com.br/files/2008/04/123-001.jpg" width="407" alt="" /></p>
<p align="justify"><em>Ele &eacute; Ant&ocirc;nio Fernandes. Para alguns &eacute; um radical de esquerda, para outros &eacute; um homem de Deus. H&aacute; anos vem lutando por justi&ccedil;a ambiental nos partidos de esquerda da Capital de Mato Grosso, Cuiab&aacute;. Na vida comunit&aacute;ria dedica parte do seu tempo aos servi&ccedil;os pastorais da igreja cat&oacute;lica. Na &aacute;rea profissional &eacute; gestor p&uacute;blico da Prefeitura de Cuiab&aacute;. Nesta entrevista, exclusiva a Prosa Pantaneira fala da sua rela&ccedil;&atilde;o com a f&eacute; e a pol&iacute;tica.</em> </p>
<p><strong>Qual a vis&atilde;o, de um Ministro da Eucaristia, da Pol&iacute;tica, que &eacute; caracterizada pela esmagadora maioria como sin&ocirc;nima de corrup&ccedil;&atilde;o?</strong> </p>
<p>O grande pol&iacute;tico deste mundo foi sem d&uacute;vidas Jesus Cristo, que usou o poder em beneficio do povo, e do povo mais sofrido, diga-se de passagem. Eu tenho uma vis&atilde;o muito positiva da pol&iacute;tica, pois foi o meio que Jesus Cristo usou e deixou para nos usarmos na transforma&ccedil;&atilde;o e constru&ccedil;&atilde;o da sociedade. &Eacute; preciso diferenciar Pol&iacute;tica de &ldquo;politicagem&rdquo; e Pol&iacute;tico de &ldquo;politiqueiro&rdquo;. Erroneamente a sociedade trata a Pol&iacute;tica, que &eacute; a ci&ecirc;ncia de transforma&ccedil;&atilde;o, de Politicagem, generalizando a situa&ccedil;&atilde;o, claro que isso virou uma &ldquo;cultura&rsquo; diante de tanto ato de corrup&ccedil;&atilde;o praticado por politiqueiros e que encontra na impunidade sua maior defesa&rdquo;, mas n&atilde;o devemos baixar a cabe&ccedil;a, pois existem pessoas que necessitam da nossa ajuda. </p>
<p><strong>&Eacute; poss&iacute;vel na Pol&iacute;tica a trilogia paulina de F&eacute;, Esperan&ccedil;a e Caridade?</strong> </p>
<p>Sim, falo da verdadeira pol&iacute;tica, o fato de bons crist&atilde;os estarem se organizando e participando deste ato democr&aacute;tico. Significa a F&eacute; em mudan&ccedil;a e esperan&ccedil;a de uma transforma&ccedil;&atilde;o neste modelo ultrapassado de representatividade do povo. E a Caridade s&oacute; ser&aacute; poss&iacute;vel a partir destas mudan&ccedil;as. Fazer bem ao pr&oacute;ximo &eacute; a maior caridade ensinada por Jesus Cristo e desprezada pelos &ldquo;pol&iacute;ticos&rdquo;. </p>
<p><strong>Voc&ecirc; militou em v&aacute;rios partidos de esquerda, como PT e PSB, agora virou tucano, t&aacute; em cima do muro?</strong> </p>
<p>A estrutura partid&aacute;ria ha muito tempo que j&aacute; n&atilde;o existe mais, foi se o tempo em que o partido era dos filiados, agora o partido &eacute; de quem tem &ldquo;poder&rdquo;, ou seja, o partido &eacute; do &ldquo;eleito&rdquo;, independente se &eacute; o DEM ou o PT. Hoje Esquerda e a Direita &eacute; coisa do passado, lamentavelmente, existe apenas <br />Situa&ccedil;&atilde;o e Oposi&ccedil;&atilde;o, e a classifica&ccedil;&atilde;o disso &eacute; apenas quem esta no poder (situa&ccedil;&atilde;o) e quem esta fora do Poder (oposi&ccedil;&atilde;o). N&atilde;o estou em cima do muro, ocorre que temos que buscar caminhos que nos leve no sentido do futuro e a sociais Democratas j&aacute; provaram que pensa mais no futuro vivendo o presente. Os maiores avan&ccedil;os nas &uacute;ltimas duas d&eacute;cadas no Brasil, foram introduzidas pelos governos do PSDB. Estar em cima do muro &eacute; defender algo quando esta fora do poder e fazer outra quando chega ao poder! </p>
<p><strong>Voc&ecirc; ocupa cargo de confian&ccedil;a na administra&ccedil;&atilde;o do Prefeito Wilson Santos, isso contribuiu para deixar o PSB? <br /></strong><br />N&atilde;o. Poderia muito bem ter decidido por entregar o DAS e continuar a militar l&aacute;, mas isto n&atilde;o resolveria o problema, quem esta dizendo que o governo do Wilson &eacute; atrasado, pratica coisas bem pior que o Wilson. O grupo que esta l&aacute; n&atilde;o tem um projeto claro para a popula&ccedil;&atilde;o, o maior projeto em desenvolvimento l&aacute; &eacute; em criar uma nova oligarquia familiar, algo t&atilde;o combatido na sociedade de hoje, al&eacute;m do que minha forma&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria n&atilde;o permite que eu aceite militar em um lugar que o objetivo seja o bem estar de um &uacute;nico, em detrimento dos outros. </p>
<p><strong>Na onde o bicho pegou que voc&ecirc; n&atilde;o ficou no PSB?</strong> </p>
<p>Na clareza de um projeto que n&atilde;o beneficie o todo, em n&atilde;o aceitar imposi&ccedil;&atilde;o g&uuml;ela abaixo, em n&atilde;o aceitar que o partido funcione conforme o interesse do grupo que esta no poder, em n&atilde;o aceitar o massacre da milit&acirc;ncia. A minha sa&iacute;da do PSB se deu pelo fato de que o partido passou a estar para o Deputado Valtenir ao inv&eacute;s do Deputado Valtenir estar para o PSB. O &ldquo;simples&rdquo; fato de eu ter sido impedido de pagar minha contribui&ccedil;&atilde;o anual conforme o Estatuto e as decis&otilde;es internas, artimanha usada para eu n&atilde;o participar do processo eleitoral interno, foi o bastante em se tratando <br />do um partido que carrega em sua sigla o &ldquo;S&rdquo; de Socialismo! </p>
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		<title>UM OLHAR MINEIRO COM FRAGMENTOS PANTANEIRO</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Feb 2008 20:27:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaoguato</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[
Ela &#233; Carla Ladeira Pimentel. Com a mineirice no sotaque e um p&#233; fincado em Mato Grosso, foi par&#225; na Europa em busca de novos conhecimentos. Para os amigos mais &#237;ntimos ela &#233; simplesmente &#8220;Carlinha&#8221;. Mineira de Belo Horizonte, jornalista comprometida com as causas sociais, n&#227;o tem medo de enfrentar novos desafios. Ambientalista por op&#231;&#227;o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="left"><img height="224" alt="" src="http://prosapantaneira.blog.terra.com.br/files/2008/02/carla-pimentel.jpg" width="402" /></p>
<p align="left">Ela &eacute; Carla Ladeira Pimentel. Com a mineirice no sotaque e um p&eacute; fincado em Mato Grosso, foi par&aacute; na Europa em busca de novos conhecimentos. Para os amigos mais &iacute;ntimos ela &eacute; simplesmente &ldquo;Carlinha&rdquo;. Mineira de Belo Horizonte, jornalista comprometida com as causas sociais, n&atilde;o tem medo de enfrentar novos desafios. Ambientalista por op&ccedil;&atilde;o e ecologista de forma&ccedil;&atilde;o &eacute; tamb&eacute;m artista pl&aacute;stica com sutilezas po&eacute;ticas no olhar. </p>
<p>Em sua passagem por Mato Grosso foi editora do caderno cidade do jornal A GAZETA, principal jornal da capital de Mato Grosso, Cuiab&aacute;. Andarilha do tipo mochileira, encontra-se vivendo na Europa, especificamente em Coimbra, Portugal, onde se encontra cursando doutorado sob a orienta&ccedil;&atilde;o de Boaventura Santos. </p>
<p>O mestrado fez quanto esteve em Mato Grosso na Universidade Federal (UFMT), na linha de pesquisa educa&ccedil;&atilde;o e meio ambiente, sob a orienta&ccedil;&atilde;o da surrealista, Mich&egrave;le Sato. </p>
<p>Especialista em educa&ccedil;&atilde;o ambiental tamb&eacute;m pela UFMT, participou do projeto de educa&ccedil;&atilde;o ambiental para Amaz&ocirc;nia (EDAMAZ), chegando receber pr&ecirc;mio do parlamento amaz&ocirc;nico pelos excelentes servi&ccedil;os prestados como pesquisadora do Grupo Pesquisador em Educa&ccedil;&atilde;o Ambiental (GPEA/UFMT). </p>
<p>Nesta entrevista exclusiva A J&atilde;o Guat&oacute; para a Prosa Pantaneira, agora como dona &ldquo;Carla Ladeira Pimentel &Aacute;guas&rdquo;, fala-nos dos novos desafios e revela o segredo para viver um grande amor. </p>
<p><strong>Guat&oacute;-O que levou voc&ecirc; a &ldquo;chutar o pau da barraca&rdquo; e deixar o Brasil? <br /></strong><br /><strong>Carlinha</strong> - Eu sempre fui bastante impetuosa, e isso trouxe coisas boas e ruins para a minha vida. S&oacute; agora, j&aacute; p&oacute;s-Balzaquiana, &eacute; que eu come&ccedil;o a colocar um tempero mais racional e calmo &agrave;s minhas escolhas. E a vinda para Portugal foi um pouco isso: eu comecei a querer outra coisa, mudar de ares, mudar de dia-a-dia. Estava no jornalismo, e especialmente no jornalismo di&aacute;rio, h&aacute; muitos anos, e sentia falta de outros tipos de experi&ecirc;ncia. A princ&iacute;pio, nem passava pela minha cabe&ccedil;a sair do Brasil. </p>
<p><strong>Guat&oacute; - Qual a sua percep&ccedil;&atilde;o hoje do pa&iacute;s morando na Europa?</strong> </p>
<p><strong>Carlinha</strong> - &Eacute; dif&iacute;cil responder a esta pergunta. N&atilde;o posso falar por todos os brasileiros que est&atilde;o fora do pa&iacute;s, mas pelo menos para mim &eacute; dif&iacute;cil estar t&atilde;o longe sem perder o foco. Ou seja: recebo informa&ccedil;&otilde;es sobre o Brasil filtradas pela grande m&iacute;dia ou, no m&aacute;ximo, atrav&eacute;s de conversas esparsas com os amigos e a fam&iacute;lia. Mas uma coisa que ficou clara logo no in&iacute;cio foi que &eacute; imposs&iacute;vel resumir o Brasil </p>
<p><strong>Guat&oacute; - Em Mato Grosso voc&ecirc; navegou pelos campos h&iacute;bridos da educa&ccedil;&atilde;o ambiental com a pop star da EA brasileira Mich&egrave;le Sato; o que foi poss&iacute;vel aprender e ensinar nesta rela&ccedil;&atilde;o? <br /></strong><br /><strong>Carlinha</strong> - Vixe, mais uma pergunta dif&iacute;cil. Quanto ao &ldquo;ensinar&rdquo;, a gente nem sempre sabe direito o que e como ensina n&eacute;? Mas o &ldquo;aprender&rdquo; &eacute; mais f&aacute;cil de explicar. A Mich&egrave;le &eacute; de uma generosidade incr&iacute;vel. Ela se doa mesmo, sem meias-palavras. E tem o maior prazer em abrir espa&ccedil;o para quem est&aacute; come&ccedil;ando e tem vontade de trabalhar. Esta postura carinhosa dela fez com que eu conseguisse entender melhor a pr&oacute;pria Educa&ccedil;&atilde;o Ambiental. Porque n&atilde;o &eacute; s&oacute; uma quest&atilde;o de teoria, &eacute; uma quest&atilde;o de carinho com as pessoas, de cuidado, de aten&ccedil;&atilde;o, de solidariedade, de rompimento com a l&oacute;gica economicista, de op&ccedil;&atilde;o de vida. </p>
<p><strong>Guat&oacute; - O que voc&ecirc; tem usado desta &ldquo;aprendizagem ambiental pantaneira&rdquo; na rela&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica com o velho mundo? <br /></strong><br /><strong>Carlinha</strong> - Bem, n&oacute;s carregamos nas malas o que somos, n&eacute;? O meio nos transforma, mas eu nunca vou deixar de ser mineira (o sotaque continua o mesmo), nem vou deixar de ter um p&eacute; em Mato Grosso. Mato Grosso foi um divisor de &aacute;guas. Foi l&aacute; que se formou a minha vis&atilde;o Pol&iacute;tica, no sentido macro. Foi l&aacute;, no pantanal, na Amaz&ocirc;nia, numa aldeia ind&iacute;gena ou na periferia de Cuiab&aacute;, que eu fiz o meu &ldquo;Descobrimento do Brasil&rdquo; particular. Isso foi decisivo. Aqui em Portugal, passei muito tempo sem trabalhar diretamente com a EA. Mas, depois de um &ldquo;longo e tenebroso inverno&rdquo;, come&ccedil;o a retomar o fio da meada. </p>
<p><strong>Guat&oacute; - Como jornalista e educadora ambiental, qual a sua opini&atilde;o sobre os meios de comunica&ccedil;&atilde;o brasileiros quando tratam dos problemas ambientais?</strong> </p>
<p><strong>Carlinha</strong> - Para mim, &eacute; dif&iacute;cil fazer uma avalia&ccedil;&atilde;o bem fundamentada, porque estou longe e n&atilde;o tenho acesso a grande parte do que &eacute; publicado pela m&iacute;dia. Tenho acesso ao que est&aacute; dispon&iacute;vel na internet, o que n&atilde;o &eacute; muita coisa. Por isso, meu olhar fica limitado. Mas posso dizer, por exemplo, que a cobertura de jornais como &ldquo;O Globo&rdquo; me parece insuficiente. Muitas vezes tamb&eacute;m as coisas surgem desconectadas, sem pano de fundo, e a&iacute; &eacute; preciso que estrelas pop fa&ccedil;am shows em v&aacute;rios pontos do mundo para que se comece a ouvir falar em aquecimento global. Por&eacute;m, isso n&atilde;o difere muito do que se pode encontrar na imprensa daqui, quando normalmente meio ambiente s&oacute; se torna not&iacute;cia se o pa&iacute;s inteiro come&ccedil;a a arder em chamas. </p>
<p><strong>Guat&oacute; - Como os nossos colonizadores portugueses tratam a EA no velho mundo?</strong> </p>
<p><strong>Carlinha</strong> - Dentro desses limites, acho que o Brasil tem um discurso e uma investiga&ccedil;&atilde;o muito mais avan&ccedil;ados. A Educa&ccedil;&atilde;o Ambiental aqui tem muito pela frente, enquanto teoria. Tanto que muitos dos que trabalham com o tema v&atilde;o &ldquo;beber nas fontes&rdquo; brasileiras. N&atilde;o posso generalizar, mas ainda h&aacute; muito daquela confus&atilde;o entre Educa&ccedil;&atilde;o Ambiental e natureza intocada, ou ela &eacute; resumida a dicas (de como economizar energia, por exemplo), mas com pouca discuss&atilde;o de fundo. Mas h&aacute; que se observar que algumas coisas funcionam melhor, como a recolha seletiva de lixo, que &eacute; mais generalizada e uniforme aqui do que no Brasil. </p>
<p><strong>Guat&oacute; - Estamos sabendo que voc&ecirc; est&aacute; ingressando num programa de doutorado em Coimbra. Qual ser&aacute; sua proposta de tese?</strong> </p>
<p><strong>Carlinha -</strong> Minha tese ser&aacute; sobre Mata Cavalo, aquela comunidade quilombola existente em Nossa Senhora do Livramento, Mato Grosso, e que at&eacute; hoje trava duras batalhas para ter definitivamente o direito sobre as terras que lhe foram doadas em 1883. O tema me entusiasma muito e a minha maior expectativa &eacute; de que efetivamente sirva para alimentar o debate sobre o p&oacute;s-colonialismo e, principalmente, seja um passo a mais rumo &agrave; solu&ccedil;&atilde;o concreta, real, do problema. Mesmo sabendo da limita&ccedil;&atilde;o, que no meu caso &eacute; ainda mais grave por estar t&atilde;o longe, quero entender e estar presente o m&aacute;ximo que me for poss&iacute;vel, atrav&eacute;s deste doutorado que ser&aacute; o mote dos meus pr&oacute;ximos quatro anos de vida. Acho uma oportunidade e tanta, especialmente porque o curso nasce das atividades do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, que, por sua vez, &eacute; encabe&ccedil;ado por Boaventura Sousa Santos, um mestre no debate da globaliza&ccedil;&atilde;o e da resist&ecirc;ncia anti-hegem&ocirc;nica. </p>
<p><strong>Guat&oacute; - Agora como &ldquo;dona Carla Pimentel&rdquo;, qual a sua dica para viver um grande amor?</strong> <br />[ </p>
<p><strong>Carlinha -</strong> &Eacute; dif&iacute;cil dar dicas e f&oacute;rmulas, mas &eacute; poss&iacute;vel dizer que o amor &eacute; uma coisa que te aquece sem te queimar. Suplementa, n&atilde;o complementa. Refor&ccedil;a aquilo que a gente j&aacute; &eacute;. Eu e o Nuno somos, para come&ccedil;ar, amigos. Muito mesmo. E ele me d&aacute; o equil&iacute;brio que a minha natural impetuosidade n&atilde;o me deixava ter. Sem paran&oacute;ias, sem jogos, de uma simplicidade e de uma proximidade que eu at&eacute; ent&atilde;o desconhecia nas rela&ccedil;&otilde;es amorosas. </p>
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		<item>
		<title>A ÁGUA E O VINHO DA EA NA VISÃO DE IRINEU TAMAIO</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Nov 2007 11:26:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaoguato</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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O entrevistado&#160;do &#34;Prosa Pantaneira&#34; desta semana e Irineu Tamaio da WWF-Brasil. Ele j&#225; atuou como professor do ensino fundamental durante 12 anos, e possui experi&#234;ncias de educa&#231;&#227;o ambiental no movimento ambientalista, tendo atuado em ONG&#180;s, Agencias de Coopera&#231;&#227;o, Governos municipais, estaduais e nos &#250;ltimos 4 anos desempenhou o papel de gestor-educador no Departamento de Educa&#231;&#227;o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img height="214" alt="" src="http://prosapantaneira.blog.terra.com.br/files/2007/11/neu-sema.jpg" width="129" /></p>
<p align="justify">O entrevistado&nbsp;do <strong>&quot;Prosa Pantaneira</strong>&quot; desta semana e Irineu Tamaio da WWF-Brasil. Ele j&aacute; atuou como professor do ensino fundamental durante 12 anos, e possui experi&ecirc;ncias de educa&ccedil;&atilde;o ambiental no movimento ambientalista, tendo atuado em ONG&acute;s, Agencias de Coopera&ccedil;&atilde;o, Governos municipais, estaduais e nos &uacute;ltimos 4 anos desempenhou o papel de gestor-educador no Departamento de Educa&ccedil;&atilde;o Ambiental do Minist&eacute;rio do Meio Ambiente. Atualmente encontra-se na coordena&ccedil;&atilde;o do Programa de Educa&ccedil;&atilde;o para Sociedades Sustent&aacute;veis do WWF - Brasil. Tamb&eacute;m &eacute; Doutor em Desenvolvimento Sustent&aacute;vel pela Universidade de Bras&iacute;lia-UnB, com mestrado em Educa&ccedil;&atilde;o pela Universidade Estadual de Campinas-UNICAMP (2000) e gradua&ccedil;&atilde;o em Hist&oacute;ria pela Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de S&atilde;o Paulo-PUC/SP (1987). </p>
<p><strong>Guat&oacute;</strong> - Para um doutor fresco da academia do planalto central brasileiro <br />qual &eacute; o papel da educa&ccedil;&atilde;o ambiental em tempos de aquecimento global? </p>
<p align="justify"><strong>Tamaio</strong> - A EA tem o papel de contribuir de forma &eacute;tica e pol&iacute;tica para a <br />manuten&ccedil;&atilde;o da vida diante do colapso vindouro. </p>
<p align="justify"><strong>Guat&oacute;</strong> - Quais s&atilde;o os fracassos e sucessos da educa&ccedil;&atilde;o ambiental em sua opini&atilde;o, como um dos dinossauros da EA no Brasil? </p>
<p align="justify"><strong>Tamaio</strong> - Sucessos: A sua institucionaliza&ccedil;&atilde;o, a constru&ccedil;&atilde;o do ProNEA, da PNEA, a forma&ccedil;&atilde;o de grupos de educadores, redes, pol&iacute;ticas p&uacute;blicas locais e regionais, F&oacute;runs, Encontros&#8230;Os fracassos: Ainda n&atilde;o conseguimos capilarizar para muitos segmentos da sociedade, a n&atilde;o dialogiciade entre certos guetos de EA.</p>
<p align="justify"><strong>Guat&oacute;</strong> - Voc&ecirc; j&aacute; viveu a experi&ecirc;ncia de ser chapa branca (governo), agora <br />volta para sociedade civil por meio da WWF Brasil, que diferen&ccedil;a voc&ecirc; estabelece do ponto de vista de constru&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas? </p>
<p align="justify"><strong>Tamaio</strong> - No movimento social &eacute; poss&iacute;vel estabelecer um foco de a&ccedil;&atilde;o que permita mobilizar uma popula&ccedil;&atilde;o em um determinado territ&oacute;rio na constru&ccedil;&atilde;o de novas alternativas socioambientais. </p>
<p align="justify"><strong>Guat&oacute;</strong> - Voc&ecirc; viveu a experi&ecirc;ncia de montagem dos coletivos educadores da <br />DEA/MMA no pantanal de Mato Grosso e Mato Grosso sul, porque essa pendenga n&atilde;o anda? </p>
<p align="justify"><strong>Tamaio</strong> - Vejo essa proposta com uma ruptura paradigm&aacute;tica, e acredito que por isso est&aacute; avan&ccedil;ando na constitui&ccedil;&atilde;o de inst&acirc;ncias de participa&ccedil;&atilde;o <br />coletiva. Acredito que a proposta pol&iacute;tico pedag&oacute;gica &eacute; muita arrojada e <br />que necessita de mais tempo e condi&ccedil;&otilde;es para implementa&ccedil;&atilde;o.</p>
<p align="justify"><strong>Guat&oacute;</strong> - De que forma a WWF pensa a educa&ccedil;&atilde;o ambiental no pantanal? </p>
<p align="justify"><strong>Tamaio</strong> - O programa Pantanal para Sempre no seu componente de EA atua com a capacita&ccedil;&atilde;o de lideran&ccedil;as s&oacute;cio ambiental - pescadores, agentes comunit&aacute;rios, universit&aacute;rios - para atuarem em projetos de gera&ccedil;&atilde;o de renda, conserva&ccedil;&atilde;o e educa&ccedil;&atilde;o ambiental junto a comunidade, sobretudo no Mato Grosso do Sul. Apoio na forma&ccedil;&atilde;o de Coletivos de Educadores Ambientais juntamente com o MMA e parceiros (universidades, Embrapa Pantanal, Ibama, prefeituras) para realiza&ccedil;&atilde;o de Coletivos na Regi&atilde;o da Bacia Pantaneira, com objetivo de formar e capacitar aproximadamente lideran&ccedil;as ambientais e propiciar o interc&acirc;mbio das pr&aacute;ticas e experi&ecirc;ncias bem sucedidas. </p>
<p align="justify"><strong>Guat&oacute;</strong> - Por qu&ecirc; a WWF s&oacute; implementou pol&iacute;ticas de educa&ccedil;&atilde;o ambiental voltada para o pantanal, at&eacute; momento, somente com Mato Grosso Sul? </p>
<p align="justify"><strong>Tamaio</strong> - A raz&atilde;o &eacute; que o WWF-Brasil iniciou sua a&ccedil;&atilde;o de EA com o apoio as escolas pantaneira em Aquidauana e se consolidou no MS, no entanto, <br />reconhecemos a import&acirc;ncia das regi&otilde;es de cabeceiras que est&atilde;o no MT e <br />pretendemos desenvolver a&ccedil;&otilde;es de EA na regi&atilde;o. </p>
<p align="justify"><strong>Guat&oacute;</strong> - Para encerra gostaria de fazer um ping-pong. Cite&nbsp; tr&ecirc;s celebridade da educa&ccedil;&atilde;o ambiental hoje no Brasil, em sua opini&atilde;o? </p>
<p align="justify"><strong>Tamaio</strong> - Mich&egrave;le Sato, Carlos Frederico Loureiro e Marcos Sorrentino. </p>
<p><strong>Guat&oacute;</strong> - Entre a &aacute;gua e o vinho o qu&ecirc; precisa acontecer para EA consolidar <br />em todos estados brasileiros? </p>
<p align="justify"><strong>Tamaio</strong> - &Eacute; preciso mobiliza&ccedil;&atilde;o e apoio das esferas governamentais. </p>
<p align="justify"><strong>Guat&oacute;</strong> - Juventude e fam&iacute;lia: o que isto tem haver com educa&ccedil;&atilde;o ambiental? </p>
<p align="justify"><strong>Tamaio</strong> - Tem tudo a ver. As redes de Juventude pelo meio ambientes t&ecirc;m <br />demonstrado um grande movimento comprometido, mobilizado e catalisador da constru&ccedil;&atilde;o de uma EA cr&iacute;tica e emancipat&oacute;ria. </p>
<p align="justify"><strong>Guat&oacute;</strong> - Beijo nas n&aacute;degas, e a sua mensagem aos leitores do prosa <br />pantaneira? </p>
<p align="justify"><strong>Tamaio</strong> - Que os leitores curtam o prosa pantaneira, que se prop&otilde;e a ser mais em espa&ccedil;o de aprendizagem e trocas de uma forma menos tradicional. Com muita poesia, fotos, musicas, literaturas, entrevistas e desenhos.</p>
<p></p>
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		<title>DONA TEREZA: MULHER NEGRA NA LUTA</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Oct 2007 19:40:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaoguato</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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&#160;
Por: Jo&#227;o Guat&#243; * 
O conflito de terras em Mata Cavalo na localidade de Nossa Senhora do Livramento (que fica a 50 km da capital de Mato Grosso, Cuiab&#225;), j&#225; se estende por mais de 30 anos. A omiss&#227;o do poder p&#250;blico do Estado vem de longe e a situa&#231;&#227;o dos quilombolas do Mata Cavalo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img height="225" alt="" src="http://prosapantaneira.blog.terra.com.br/files/2007/10/mata-cavalo-5-8-031.jpg" width="406" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Por: Jo&atilde;o Guat&oacute; * </p>
<p>O conflito de terras em Mata Cavalo na localidade de Nossa Senhora do Livramento (que fica a 50 km da capital de Mato Grosso, Cuiab&aacute;), j&aacute; se estende por mais de 30 anos. A omiss&atilde;o do poder p&uacute;blico do Estado vem de longe e a situa&ccedil;&atilde;o dos quilombolas do Mata Cavalo &eacute; grave, j&aacute; houve despejos, queima de barracos, pessoas presas e at&eacute; conflitos armados. </p>
<p>H&aacute; quem acredita que a &aacute;rea &eacute; muito rica, em ouro, e isto aumenta a cobi&ccedil;a de todo tipo de gente gananciosa, aventureiros brancos, negros e roxos entre outros tipos &eacute;tnicos. </p>
<p>Os negros, descendentes leg&iacute;timos de escravos, al&eacute;m do direito de usucapi&atilde;o (caso as terras pertencessem, realmente, a sesmaria de brancos), s&atilde;o vistos, tamb&eacute;m, como verdadeiros posseiros e propriet&aacute;rios, ainda que se tratassem de terras devolutas, ou seja, pertencentes ao Estado&quot;. </p>
<p>Com 495 fam&iacute;lias, a comunidade vive hoje numa &aacute;rea reduzida impedindo o cultivo de ro&ccedil;a de subsist&ecirc;ncia que n&atilde;o lhe garante a p&atilde;o de cada dia das fam&iacute;lias. Mesmo assim, as mulheres e homens na luta pela terra s&atilde;o iguais em direito, alguns homens, segundo Dona Tereza, na hora do vamos ver como &eacute; fica&#8230;falham. </p>
<p>Enquanto fazendeiros usam os artif&iacute;cios do poder para justificar suas invas&otilde;es, despejos, armas, autoritarismo, queima de casas e de planta&ccedil;&otilde;es, o pr&oacute;prio Estado age com a omiss&atilde;o. O governo n&atilde;o &eacute; a solu&ccedil;&atilde;o do problema, o governo &eacute; o problema. </p>
<p>Nesta entrevista inclusiva, Dona Tereza da Concei&ccedil;&atilde;o, Presidente da Associa&ccedil;&atilde;o do Mato Cavalo, fala dos problemas que os quilombolas vem enfrentando na luta pela terra. Veja a entrevista na integra de Jo&atilde;o Guat&oacute; da Rede Mato-Grossense de Educa&ccedil;&atilde;o Ambiental (REMTEA). </p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Guat&oacute; </strong>&ndash; Dona Tereza, h&aacute; quanto tempo &agrave; senhora vem lutando pela as terras do Quilombo Mata Cavalo? </p>
<p><strong>D. Tereza</strong> &ndash; Eu nasci e fui criada nessas terras do Quilombo Mata-Cavalo. Estou com 7O anos, e meu pai com 102 anos (Ant&ocirc;nio Mulato), tamb&eacute;m &eacute; filho do Quilombo. Ent&atilde;o veja! Com todo esse tempo em cima da terra, nunca sa&iacute;mos de dentro do Quilombo. </p>
<p><strong>Guat&oacute;</strong> &ndash; Como est&aacute; a luta hoje de posse pelas terras em lit&iacute;gio? </p>
<p><strong>D. Tereza</strong> &ndash; Pelo o que estou vendo, j&aacute; n&atilde;o tem o qu&ecirc; se fazer. Tudo que estava ao nosso alcance foi feito. Agora esta nas m&atilde;os dos respons&aacute;veis pelo Incra em Mato Grosso. Um documento foi elaborado por nos e entregue ao Presidente Lula. Agora estamos aguardando uma reuni&atilde;o que at&eacute; o momento n&atilde;o foi marcada, apenas boatos. Acreditamos que desta vez ser&aacute; resolvido. Vamos ver&#8230; </p>
<p><strong>Guat&oacute;</strong> &ndash; O qu&ecirc; voc&ecirc;s esperam com esse documento entregue ao Presidente de Lula em passagem por Cuiab&aacute;? </p>
<p><strong>D. Tereza</strong> &ndash; N&oacute;s esperamos com isto o titulo da terra. Queremos isto do Presidente Lula. No documento reivindicamos apoio para recebemos o t&iacute;tulo da terra, para que possamos trabalhar e expandir as nossas a&ccedil;&otilde;es na comunidade. Temos 14 fam&iacute;lias com ro&ccedil;as, cria&ccedil;&atilde;o de galinha e porco que foram despejados de suas terras dias atr&aacute;s. Depois disto os fazendeiros colocaram gado nas terras. Eles acabam com as planta&ccedil;&otilde;es. Destr&oacute;i tudo que encontram pela frente.O problema &eacute; que essas fam&iacute;lias estavam produzindo e foram for&ccedil;ados pelos fazendeiros a abandonar a terra com amea&ccedil;as. At&eacute; quando vamos vivem em nossas pr&oacute;prias terras sendo tratados desta forma? </p>
<p><strong>Guat&oacute;</strong> &ndash; No Governo Dante de Oliveira foi feita a Cadeia Dominial das terras do Mato Cavalo, ficou comprovado que &eacute; territ&oacute;rio de quilombola, aquilo n&atilde;o valeu? </p>
<p><strong>D Tereza</strong> &ndash; Valeu sim! Mas o pessoal do Incra sumiu com os pap&eacute;is. Agora disseram para nos que ter&iacute;amos que fazer novamente a cadeia dominial. L&aacute; no Incra tem muita gente boa, mas tem algumas pessoas que j&aacute; at&eacute; nos jogaram para fora do pr&eacute;dio. Aquele Clovis e o Leonel t&ecirc;m vezes que nem recebemos n&oacute;s. Um dia mandou o seguran&ccedil;a tirar n&oacute;s l&aacute; de dentro. </p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Guat&oacute; </strong>&ndash; Qual &eacute; a maior dificuldade que a senhora enfrenta nessa luta? </p>
<p><strong>D. Tereza</strong> &ndash; O maior problema &eacute; a falta de empenho dos governantes, principalmente do Incra, que n&atilde;o se empenha na resolu&ccedil;&atilde;o dos problemas. Outro problema para n&oacute;s &eacute; o Carlos Maciel, do cart&oacute;rio de registro de im&oacute;vel de V&aacute;rzea Grande, que fez uma associa&ccedil;&atilde;o dos fazendeiros para contrapor a nossa luta. Ele tem dinheiro e n&oacute;s n&atilde;o temos, ent&atilde;o &eacute; ele mais quem n&atilde;o deixa a conversa a avan&ccedil;ar. </p>
<p><strong>Guat&oacute;</strong> &ndash; Esta associa&ccedil;&atilde;o que a senhora preside &eacute; a associa&ccedil;&atilde;o m&atilde;e. isto quer dizer que existem outras associa&ccedil;&otilde;es, isto n&atilde;o enfraquece a luta? </p>
<p><strong>D. Tereza</strong> &ndash; Enfraquece sim, mas quiseram assim. Por que antes da gente receber o titulo definitivo, j&aacute; havia seis associa&ccedil;&otilde;es, mas eu sou a, mas velha por aqui registrada como presidente. Depois foi o pessoal do Mutuca. Cada associa&ccedil;&atilde;o tem o seu dom&iacute;nio territorial de Trabalho. Quiseram fazer assim, fizemos. Mas j&aacute; passamos por muitas dificuldades com a nossa associa&ccedil;&atilde;o, mas sempre persistimos com a luta pela terra. As outras tiveram que mudar daqui, por causa das press&otilde;es&#8230;Somos seis fam&iacute;lias que nunca deixou o quilombo. J&aacute; passamos por serias dificuldades, mas sempre moramos aqui. </p>
<p><strong>Guat&oacute; </strong>&ndash; Hoje nesta comunidade h&aacute; ind&iacute;cios de muitos barracos queimados, o qu&ecirc; a senhora atribui? </p>
<p><strong>D. Tereza</strong> &ndash; Tem lugar que s&atilde;o os fazendeiros que mandam colocar fogo. Tem alguns lugares que a palha esta muito velha e qualquer fa&iacute;sca de fogo j&aacute; incendeia. A minha filha na semana passada perdeu o barraco com todos m&oacute;veis que tinha dentro. Estava fora, quando chegaram na casa estava tudo queimado. Ningu&eacute;m sabe o que aconteceu&#8230; </p>
<p><strong>Guat&oacute;</strong> &ndash; Como &agrave; senhora encara a luta da mulher negra pela terra no Quilombo do Mata Cavalo? </p>
<p><strong>D. Tereza</strong> &ndash; As mulheres aqui s&atilde;o de fibra, nascemos e fomos criadas aqui. Mesmo com as amea&ccedil;as, estamos na luta e em p&eacute; para que tudo seja resolvido. N&atilde;o temos medo. Temos esperan&ccedil;a que tudo ser&aacute; resolvido. Com f&eacute; em Deus! </p>
<p><strong>Guat&oacute;</strong> &ndash; Como &eacute; a participa&ccedil;&atilde;o dos homens na luta pela terra? </p>
<p><strong>D. Tereza</strong> &ndash; Aqui tem homem de for&ccedil;a e de luta na nossa batalha. Temos muito homem que est&atilde;o mais envolvidos com suas planta&ccedil;&otilde;es. Todos ajudam de alguma forma. Mas tamb&eacute;m tem aquele que n&atilde;o encaram a luta de frente. </p>
<p><strong>Guat&oacute; </strong>&ndash; Qual a mensagem que a senhora deixa para as mulheres negras do Brasil? </p>
<p><strong>D. Tereza</strong> &ndash; Que viva a mulher brasileira, que possam enfrentar as suas lutas, onde Deus possa dar for&ccedil;a principalmente para as minhas amigas aqui do quilombo. </p>
<p><strong>Guat&oacute;</strong> &ndash;Qual &eacute; o seu grande desejo na luta por essas terras? </p>
<p><strong>D. Tereza</strong> &ndash; Que todos que participaram dessa luta, possam estar assentados e com o titulo definitivo em suas m&atilde;os. Para que suas fam&iacute;lias possam criar e viver em paz no seu peda&ccedil;o de terra. </p>
<p></p>
<p><strong>* Jo&atilde;o Guat&oacute;</strong> &ndash; &Eacute; jornalista em Mato Grosso e Facilitador da Rede Mato-Grossense de Educa&ccedil;&atilde;o Ambiental. </p>
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